O ouro atingiu nesta terça-feira (23) um valor histórico por onça troy, impulsionado por expectativas de que o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos fará cortes na taxa de juros, aliado a um cenário global marcado por instabilidade geopolítica e dólar enfraquecido. A cotação alcançou cerca de US$ 3.750, segundo dados de mercado, refletindo o momento de fuga para ativos considerados porto-seguro.
Bancos centrais de vários países estão aumentando suas aquisições de ouro como parte de estratégia para diversificar reservas monetárias, sobretudo diante de sanções, tensões diplomáticas e preocupações com a credibilidade do dólar. Esse movimento institucional reforça a percepção de que o ouro não serve apenas como ativo de investimento especulativo, mas como proteção em períodos de crise.
Consultores financeiros destacam que a inflação persistente nos EUA e globalmente também está colaborando para sustentar o apetite pelo ouro. Mesmo com algumas quedas percentuais em itens específicos, o custo de vida elevado e a incerteza sobre o ritmo de recuperação econômica tornam o metal precioso uma alternativa para preservar valor.
Outra peça-chave dessa alta é o enfraquecimento do dólar americano, que torna o ouro mais atrativo para investidores internacionais. À medida que o dólar perde força, os metais situados em outras moedas tendem a subir. Também pesa o fato de que o mercado tem olhado com atenção para discursos do presidente do Fed, Jerome Powell, e indicadores de inflação, como o índice de preços de consumo pessoal (PCE, em inglês), que devem sinalizar possíveis descompressões ou persistências da alta.
Para pequenos investidores, a valorização histórica do ouro oferece perspectiva de ganhos, mas também de risco. A volatilidade nos mercados, flutuações cambiais e possível retração global aumentam o risco de correções. Alguns analistas alertam para oportunidade limitada, recomendando estratégias com diversificação, fundos lastreados em ouro (ETFs) e cautela no timing de compra.
Enquanto recordes se sucedem, o ouro funciona como um barômetro das incertezas do mundo: quando conflitos, dúvidas sobre política monetária ou instabilidades globais crescem, ele sobe; quando a economia retoma e os juros elevados pressionam, pode ficar vulnerável. O mercado agora aguarda os próximos discursos do Fed e decisões de juros nos EUA, que devem reforçar ou moderar essa trajetória de alta.
