MACEIÓ (AL) — O percentual de famílias endividadas em Maceió alcançou 81,35% em janeiro de 2026.
O dado representa um aumento expressivo de 4,2 pontos percentuais em relação a dezembro de 2025, indicando que o crédito foi o principal mecanismo de defesa contra as despesas típicas de início de ano, como impostos e mensalidades escolares.
O salto no endividamento reflete a pressão sazonal de janeiro. Sem as rendas extras de dezembro (como o 13º salário) e diante da concentração de boletos obrigatórios, o maceioense recorreu ao crédito para recompor a liquidez do orçamento doméstico.
De acordo com o Instituto Fecomercio de Alagoas, o movimento indica que o crédito deixou de ser apenas para consumo e passou a ser uma ferramenta de sobrevivência.
Veja os principais números de janeiro de 2026:
- Endividados: 81,35% (alta de 4,20% no mês);
- Contas em atraso: 30,30% (queda de 1,56% no mês);
- Sem condições de pagar: 8,33% (leve alta de 0,36% no mês).
Qual é a principal causa das dívidas dos maceioenses?
O cartão de crédito consolidou-se como o “vilão” e, ao mesmo tempo, a “ponte financeira” absoluta.
Em janeiro de 2026, 94,15% das famílias endividadas possuem pendências no cartão. O perigo reside no uso do saldo rotativo, que possui as taxas de juros mais altas do mercado.
Para quem já está com o orçamento comprometido e precisa evitar o efeito “bola de neve”, é fundamental entender como pagar menos juros no rotativo e no parcelamento do mínimo.
Mesmo com o alto nível de dívidas, o mercado de crédito em Alagoas segue dinâmico.
Recentemente, houve uma migração significativa de usuários em busca de melhores limites, como a solicitação de cartões Nubank por ex-clientes do Will Bank no estado.
Tipos de dívida das famílias em Maceió – Jan/2026

Participação por tipo de dívida das famílias em Maceió: cartão de crédito lidera em dez/25 (94,15%) e jan/26 (91,14%); carnês somam 25,71% e 22,53%.
Como a renda influencia o endividamento em Alagoas?
A pesquisa PEIC revela uma divisão clara entre as faixas salariais. Enquanto as famílias de renda mais alta (acima de 10 salários-mínimos) possuem um endividamento de 72%, o grupo de menor renda vê esse índice disparar para 82%.
O superendividamento — quando a família declara não ter condições de pagar — está concentrado justamente na base da pirâmide social.
Para esses consumidores, o acesso a novos cartões é dificultado pelas restrições nos órgãos de proteção ao crédito.
No entanto, ainda existem opções no mercado, como esta lista de cartões de crédito para quem tem o nome sujo em 2026.
O paradoxo da inadimplência
Apesar de mais pessoas estarem endividadas, o percentual de famílias com contas em atraso caiu para 30,3%.
Segundo o assessor econômico Lucas Sorgato, isso sugere que as famílias usaram novas dívidas para quitar pendências anteriores ou para evitar o calote imediato no início do ano.
O cenário para o comércio em Alagoas traz alívio momentâneo, mas acende um alerta: se a renda não crescer nos próximos meses, o risco de uma explosão de inadimplência no segundo trimestre de 2026 é real.
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