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Hoje é Dia do Médico Veterinário: profissão celebra conquistas e enfrenta novos desafios

Reconhecimento da data destaca avanços no cuidado com os animais, mas também expõe dificuldades enfrentadas pelos profissionais no Brasil

Medicos veterinarios - @Reprodução
Medicos veterinarios - @Reprodução

Hoje, 9 de setembro, é celebrado o Dia do Médico Veterinário, data criada para valorizar os profissionais responsáveis não apenas pela saúde de cães e gatos, mas também pela segurança alimentar, inspeção de produtos de origem animal e pelo combate a doenças que podem afetar seres humanos. Mais do que uma homenagem, a data abre espaço para refletir sobre os avanços e desafios de uma das profissões mais essenciais para a sociedade.

Ao longo das últimas décadas, a medicina veterinária conquistou reconhecimento e ampliou sua atuação muito além do atendimento em clínicas e hospitais. O profissional é peça-chave em setores estratégicos, como agropecuária, saúde pública, pesquisa científica e preservação ambiental.

Um dos marcos recentes é o crescimento da medicina veterinária especializada, com a expansão de áreas como oncologia, cardiologia e ortopedia voltadas exclusivamente para animais. O acesso a exames de imagem avançados, como ressonância magnética e tomografia computadorizada, também revolucionou o diagnóstico e tratamento.

Outro ponto de destaque é a presença do médico veterinário em programas de saúde pública, atuando no controle de zoonoses como a raiva, a leishmaniose e a influenza aviária. Esse trabalho preventivo protege não apenas os animais, mas também milhões de brasileiros contra surtos de doenças graves.

Além disso, a profissão conquistou maior espaço na sociedade urbana, acompanhando a mudança de comportamento das famílias brasileiras, que passaram a considerar os pets como membros do lar. Essa valorização ampliou o mercado de trabalho e impulsionou investimentos em clínicas, planos de saúde animal e tecnologias de bem-estar.

Apesar dos avanços, a profissão ainda enfrenta grandes desafios. O primeiro deles é o reconhecimento financeiro: pesquisas apontam que o salário médio de um médico veterinário no Brasil ainda é inferior ao de outras profissões da saúde, mesmo diante da alta carga de estudos e especializações necessárias.

Outro obstáculo é o desgaste emocional. Profissionais da área relatam alto índice de estresse e até de síndrome de burnout, resultado da rotina intensa de plantões, da pressão dos tutores e do envolvimento emocional com os animais. A necessidade de lidar com eutanásias e casos graves também aumenta a carga psicológica.

No campo da saúde pública, a profissão enfrenta ainda dificuldades estruturais. Muitos municípios não contam com equipes de vigilância veterinária suficientes, o que prejudica campanhas de vacinação e o controle de zoonoses. Essa carência expõe a população a riscos de surtos que poderiam ser evitados com maior investimento.

Outro desafio crescente é a valorização acadêmica. Apesar do aumento do número de faculdades de medicina veterinária, especialistas alertam que a qualidade de ensino nem sempre acompanha a expansão, o que pode comprometer a formação de novos profissionais.

Por fim, a atuação em defesa dos direitos dos animais também ganha espaço entre os desafios contemporâneos. Veterinários têm papel essencial em denúncias de maus-tratos e na elaboração de políticas públicas de proteção, mas muitas vezes esbarram na falta de apoio legal e institucional.