Cultura

Mãe Neide lança seu segundo livro na 11ª Bienal do Livro de Alagoas

"Diário de uma mãe de santo" retrata a trajetória espiritual, a vivência como mulher negra e quilombola e a luta contra a intolerância religiosa.

Atualizado 3 meses atrás
Mãe Neide Oyá d’Oxum durante o lançamento de seu segundo livro | @ Foto: Imprensa Oficial Graciliano Ramos
Mãe Neide Oyá d’Oxum durante o lançamento de seu segundo livro | @ Foto: Imprensa Oficial Graciliano Ramos

Mãe Neide Oyá d’Oxum publicou na noite do último sábado (1º) seu segundo livro, chamado “Diário de uma mãe de santo”, publicado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, durante a 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, na Sala Ipioca do Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso. A obra apresenta uma retrospectiva da trajetória espiritual da yalorixá, além de abordar sua experiência enquanto mulher negra e quilombola, oferecendo ao leitor uma visão íntima de sua vida, seu trabalho nos terreiros e os desafios enfrentados diariamente.

“Estou muito feliz com o lançamento de mais esse livro. Foi uma verdadeira terapia. E a palavra cura é a que melhor define ‘Diário de uma mãe de santo’. Porque nós mães de santo sempre estamos prontas para acolher quem mais precisa. Mas e quando nós é que precisamos de acolhimento? Então, o livro também serviu para me trazer ainda mais força nas batalhas do dia a dia”, afirmou a escritora.

Em Diário de uma mãe de santo, Mãe Neide reforça a importância de contar sua própria história para que a vida das mães de santo e de outras mulheres de terreiros seja compreendida de forma genuína, sem preconceitos ou distorções.

“Precisamos fazer com que as pessoas conheçam verdadeiramente a nossa história, para que sejamos vistos da maneira como somos de fato, sem enviesamento. E este é o propósito deste livro: mostrar a rotina de uma mãe de santo, que vive como qualquer outra mulher, que ‘mata um leão por dia’ e que luta contra a intolerância. A diferença, se é que existe, é que somos mães da diversidade, porque abraçamos, inclusive, quem não se identifica com nossa religião”, emendou Mãe Neide.

A autora também destaca como a obra ressignifica o conceito de amor.

“O amor não tem cor ou gênero. Porque amor é igualdade. É ter esse olhar mais fraterno diante do diferente, para que saibamos, de uma vez por todas, que somos todos filhos do mesmo criador”, avaliou a yalorixá, que também é autora de “Wa Jeun: sabores ancestrais afro-indígenas”.

Durante o lançamento, Mãe Neide ressaltou ainda a importância histórica e cultural de Alagoas, lembrando que o estado não se resume apenas aos marechais da história oficial.

“Alagoas não é somente a terra dos Marechais. É, principalmente, a terra da liberdade, de Zumbi, Dandara e Aqualtune”, ressaltou a também premiada chef de cozinha.

*Com informações da Imprensa Oficial Graciliano Ramos