Mãe Neide Oyá d’Oxum publicou na noite do último sábado (1º) seu segundo livro, chamado “Diário de uma mãe de santo”, publicado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, durante a 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, na Sala Ipioca do Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso. A obra apresenta uma retrospectiva da trajetória espiritual da yalorixá, além de abordar sua experiência enquanto mulher negra e quilombola, oferecendo ao leitor uma visão íntima de sua vida, seu trabalho nos terreiros e os desafios enfrentados diariamente.
“Estou muito feliz com o lançamento de mais esse livro. Foi uma verdadeira terapia. E a palavra cura é a que melhor define ‘Diário de uma mãe de santo’. Porque nós mães de santo sempre estamos prontas para acolher quem mais precisa. Mas e quando nós é que precisamos de acolhimento? Então, o livro também serviu para me trazer ainda mais força nas batalhas do dia a dia”, afirmou a escritora.
Em Diário de uma mãe de santo, Mãe Neide reforça a importância de contar sua própria história para que a vida das mães de santo e de outras mulheres de terreiros seja compreendida de forma genuína, sem preconceitos ou distorções.
“Precisamos fazer com que as pessoas conheçam verdadeiramente a nossa história, para que sejamos vistos da maneira como somos de fato, sem enviesamento. E este é o propósito deste livro: mostrar a rotina de uma mãe de santo, que vive como qualquer outra mulher, que ‘mata um leão por dia’ e que luta contra a intolerância. A diferença, se é que existe, é que somos mães da diversidade, porque abraçamos, inclusive, quem não se identifica com nossa religião”, emendou Mãe Neide.
A autora também destaca como a obra ressignifica o conceito de amor.
“O amor não tem cor ou gênero. Porque amor é igualdade. É ter esse olhar mais fraterno diante do diferente, para que saibamos, de uma vez por todas, que somos todos filhos do mesmo criador”, avaliou a yalorixá, que também é autora de “Wa Jeun: sabores ancestrais afro-indígenas”.
Durante o lançamento, Mãe Neide ressaltou ainda a importância histórica e cultural de Alagoas, lembrando que o estado não se resume apenas aos marechais da história oficial.
“Alagoas não é somente a terra dos Marechais. É, principalmente, a terra da liberdade, de Zumbi, Dandara e Aqualtune”, ressaltou a também premiada chef de cozinha.
