A vida imita a arte? Nos últimos dias, um trecho de apenas poucos segundos do filme de terror mexicano O Habitante (2017) viralizou nas redes sociais e chamou atenção de internautas ao redor do mundo por uma coincidência que muitos consideraram sinistra: o longa menciona, logo no início, a morte de um papa chamado Leão 14 – o mesmo nome do pontífice recém-eleito.
A cena em questão acontece no terceiro minuto do filme, antes mesmo de seu título ser apresentado na tela. Um dos personagens assiste a uma matéria de telejornal, cuja âncora anuncia em tom sóbrio: “Segundo os primeiros relatórios emitidos pelo Vaticano, o papa Leão 14 faleceu em decorrência de uma septicemia e de um colapso pulmonar irreversível, razão por que foi internado na semana passada”.
Trata-se de um trecho breve, que, na época, podia não ter muito sentido, mas que, agora, ganhou uma nova camada de significado. Com a morte fictícia de um papa chamado Leão 14, o nome do filme voltou à tona. Muitos usuários nas redes sociais questionam se o longa é uma profecia.
A teoria da “premonição” ganha ainda mais força, quando se observa o histórico de produção do longa. O Habitante foi rodado ao longo de 2017 e chegou aos cinemas mexicanos apenas em junho de 2018.
No entanto, antes mesmo de sua estreia oficial, o filme já havia sido exibido em festivais, incluindo uma pré-estreia em outubro de 2017, durante o Festival de Cinema de Sitges, na Catalunha. À época, o nome Leão 14 ainda não era mais do que uma especulação fictícia.
O diretor e roteirista do filme, Guillermo Amoedo tem sido procurado pela imprensa desde que a coincidência veio à tona. Ao jornal argentino Clarín, ele afirmou que a escolha do nome do papa não foi aleatória, mas tampouco teve qualquer caráter de previsão sobrenatural.
“Decidi usar trechos de antigas profecias, como as visões de São Malaquias e outras teorias envolvendo o pontífice – e, dessa pesquisa, surgiu o nome de Leão 14”, explicou. “Se as pessoas analisarem o filme com cuidado, certamente encontrarão muitas outras ‘coincidências’ além do nome do papa”.
A menção à profecia de São Malaquias não é irrelevante. Trata-se de uma série de frases atribuídas a um arcebispo irlandês do século XII, que teria previsto a sucessão de papas até o fim da Igreja. Embora sua autenticidade seja alvo de debate entre estudiosos e teólogos, o conteúdo dessas visões costuma alimentar teorias conspiratórias e especulações religiosas sempre que um novo papa é eleito – ou quando algum fato trágico envolve o Vaticano.
Apesar da comoção em torno da “profecia papal”, O Habitante é, acima de tudo, um filme de terror sobrenatural, centrado em um enredo bastante distinto do que sugere o burburinho recente.
A trama acompanha três irmãs – María (María Evoli), Camila (Vanesa Restrepo) e Ana (Carla Adell) – que, ao invadir a casa de um político corrupto para cometer um roubo, acabam descobrindo algo muito mais perturbador do que esperavam: uma jovem amarrada no porão, aparentemente sequestrada. Movidas por compaixão, elas decidem libertar Tamara (Natasha Cubria), sem imaginar que a garota está, na verdade, possuída por uma entidade demoníaca.
O filme combina elementos clássicos do gênero – como exorcismo, possessão e simbolismos católicos – com um tom sombrio e violento, característico de parte do cinema de terror latino-americano contemporâneo.
Guillermo Amoedo, conhecido por sua colaboração com o diretor Eli Roth em filmes como Knock Knock e The Green Inferno, conduz a narrativa com tensão crescente, alternando entre o psicológico e o sobrenatural.
