O alerta que circula nas redes sociais sobre o chamado “31 Atlas” ou “29/10” se refere ao objeto interestelar 3I/ATLAS, descoberto em julho de 2025 por astrônomos do projeto ATLAS, no Chile. O corpo celeste, identificado como o terceiro objeto de fora do Sistema Solar já observado pela ciência, deve atingir o ponto mais próximo do Sol — o chamado periélio — entre os dias 29 e 31 de outubro.
De acordo com a NASA e com o Jet Propulsion Laboratory (JPL), o 3I/ATLAS chegará a cerca de 1,36 unidade astronômica do Sol, o que equivale a aproximadamente 200 milhões de quilômetros. Mesmo nessa fase, o objeto permanecerá muito distante da Terra, sem qualquer possibilidade de colisão. A passagem representa uma oportunidade de observação científica rara, mas não traz riscos ao planeta, ao contrário do que afirmam publicações que viralizaram recentemente em redes sociais.
O 3I/ATLAS é um objeto de trajetória hiperbólica, ou seja, não está preso à gravidade do Sol e atravessa o Sistema Solar em rota de passagem única. Ele deve deixar a região do Sol nos meses seguintes e seguir novamente para o espaço interestelar. A trajetória e a velocidade — estimadas em mais de 68 quilômetros por segundo — foram calculadas com precisão por observatórios internacionais. As medições confirmam que o corpo não se aproxima o suficiente para afetar a Terra de forma direta.
Descoberto pelo Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System (ATLAS), o objeto vem sendo monitorado por telescópios nos Estados Unidos, no Chile e em observatórios da ESA. A confirmação de que se trata de um visitante interestelar veio a partir de análises da sua órbita e da composição dos gases que emite. Essa assinatura química é diferente da de cometas formados no Sistema Solar, o que indica uma origem em outra estrela.

Imagem ilustrativa do 3I atlas – @Reprodução
Segundo a NASA, o 3I/ATLAS ficará invisível a partir da Terra durante a aproximação máxima ao Sol, pois estará em conjunção solar — atrás do Sol, do ponto de vista do planeta. Por esse motivo, o fenômeno não poderá ser visto nem com telescópios terrestres. Após o periélio, o objeto começará a se afastar novamente, e apenas sondas espaciais poderão continuar observando sua rota.
O interesse da comunidade científica é compreender a composição e o comportamento físico desse tipo de corpo interestelar, comparando-o a outros já observados, como o 1I/ʻOumuamua (em 2017) e o 2I/Borisov (em 2019). Cada um desses objetos trouxe informações inéditas sobre a formação de sistemas planetários fora do nosso.
O astrônomo Davide Farnocchia, do JPL, explicou em comunicado que o 3I/ATLAS é “um laboratório natural” para entender como são os fragmentos e os detritos expulsos de outros sistemas estelares. Ele reforçou que, mesmo durante o periélio, “não há motivo de preocupação” e que a NASA monitora continuamente o percurso do objeto.
Nas últimas semanas, vídeos e mensagens em redes sociais têm citado a data de 29 de outubro como suposta ameaça ou “evento cósmico de risco”. Especialistas em astronomia e agências espaciais classificaram as publicações como desinformação, já que o corpo não está em rota de colisão e segue previsivelmente sua trajetória segura.
Após a passagem próxima ao Sol, o 3I/ATLAS começará a se afastar do Sistema Solar e perder brilho rapidamente, tornando-se novamente invisível mesmo para observatórios profissionais. De acordo com os cálculos atuais, o objeto alcançará a distância máxima da Terra em dezembro, a mais de 270 milhões de quilômetros.
O evento marca mais um capítulo na observação de objetos interestelares, fenômenos ainda raros e de grande valor para a astronomia moderna. Para o público, especialistas recomendam cautela com informações que não sejam divulgadas por órgãos oficiais como a NASA, a ESA e o Observatório Nacional.
