O cometa interestelar 3I/ATLAS voltou a chamar a atenção da comunidade científica depois que a Nasa confirmou a presença de uma substância jamais observada em qualquer outro corpo celeste conhecido. Dados coletados pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST) revelaram que a coma — nuvem de gás e poeira que envolve o núcleo — é dominada por dióxido de carbono (CO₂), em proporções que desafiam o que se sabia sobre a química dos cometas.
Os pesquisadores afirmam que a quantidade de CO₂ presente no 3I/ATLAS é oito vezes maior que a de água, algo sem precedentes. Essa descoberta sugere que o objeto pode ter se formado em condições ambientais totalmente diferentes das que existem em torno do Sol, possivelmente em outra estrela.
Descoberta inédita desafia teorias sobre a origem dos cometas
A anomalia química foi identificada em julho, pouco depois de o telescópio ATLAS, no Chile, registrar o cometa pela primeira vez. O James Webb então apontou seus sensores para o objeto e encontrou sinais de que ele é composto por elementos incomuns até mesmo para padrões interestelares.
Para os cientistas, a descoberta é um marco importante na astronomia moderna. “Essa relação de dióxido de carbono é algo que nunca havíamos visto antes. Isso indica que o 3I/ATLAS pode ter se formado em uma região extremamente fria, ou que passou por processos químicos que não ocorrem no nosso Sistema Solar”, explicou a astrofísica Katrina Jackson, do Centro de Estudos Planetários da Nasa.
O 3I/ATLAS está viajando a mais de 210 mil quilômetros por hora e deve atingir o periélio — ponto mais próximo do Sol — em 29 de outubro de 2025. Até lá, novas observações serão feitas para entender como o calor solar afetará sua estrutura e se outras substâncias desconhecidas serão liberadas durante a aproximação.
O cometa mais antigo já observado
Além da composição inédita, os dados sugerem que o 3I/ATLAS pode ser o cometa mais antigo já registrado. Modelos desenvolvidos pela equipe que o descobriu indicam uma idade superior a 7 bilhões de anos, o que significa que ele é mais velho que o próprio Sistema Solar.
Essa estimativa reforça o interesse da Nasa e de outros observatórios internacionais, que agora se preparam para um exercício global de observação coordenado pela Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN). A ideia é aprimorar técnicas de medição orbital e compreender melhor a origem dos objetos que cruzam a fronteira entre sistemas estelares.
Os cientistas descartam, por enquanto, qualquer risco de impacto com a Terra. O foco das investigações é compreender como o 3I/ATLAS conseguiu preservar compostos tão raros por bilhões de anos — e o que isso pode revelar sobre a formação dos primeiros planetas e estrelas do universo.
A Nasa ainda não descartou a possibilidade de o cometa conter outros elementos desconhecidos, que podem ser detectados à medida que ele se aquece ao se aproximar do Sol. Para os astrônomos, cada nova medição do 3I/ATLAS representa uma oportunidade única de observar o passado do cosmos.

Cometa 3i Atlas está distante da terra – @Reprodução
