O cometa 3I/ATLAS, descoberto em julho de 2025 pelo sistema de monitoramento ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System), é apenas o terceiro objeto interestelar já identificado atravessando o Sistema Solar.
Diferente dos cometas comuns, que orbitam o Sol em trajetórias elípticas, o 3I/ATLAS segue uma rota hiperbólica, ou seja, ele não pertence ao nosso sistema — entrou, passou e logo seguirá para o espaço interestelar, sem retorno.
O fenômeno desperta o interesse da comunidade científica mundial, que busca entender a composição química e a origem desse corpo celeste vindo de fora do Sistema Solar.
De acordo com dados da NASA e da União Astronômica Internacional, o 3I/ATLAS atingiu seu periélio (ponto mais próximo do Sol) nesta quinta-feira, 30 de outubro, quando passou a cerca de 1,36 unidade astronômica — o equivalente a 203 milhões de quilômetros de distância.
Nas próximas semanas, o cometa seguirá se afastando gradualmente, perdendo brilho e tornando-se cada vez mais difícil de ser observado, até desaparecer completamente do alcance dos telescópios terrestres.
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Como observar o 3I/ATLAS do Brasil
Segundo astrônomos, o cometa não será visível a olho nu nem com binóculos comuns. A observação só será possível com telescópios amadores de médio porte (a partir de 150 mm de abertura), em locais com pouca poluição luminosa.
Os melhores horários para tentar observar o 3I/ATLAS são nas madrugadas entre 1h e 4h, quando o céu está mais escuro e o cometa se posiciona em melhor ângulo no horizonte leste.
Durante o início de novembro, ele estará próximo das constelações de Virgem e Libra, movendo-se lentamente rumo à região de Escorpião. A distância entre o cometa e a Terra será de aproximadamente 1,79 unidade astronômica (cerca de 268 milhões de quilômetros) em sua maior aproximação, prevista para 19 de dezembro.
Para quem deseja acompanhar em tempo real, aplicativos como SkySafari, Stellarium e Heavens-Above já atualizaram suas bases de dados com a trajetória exata do 3I/ATLAS.
Por que esse cometa é tão especial
O 3I/ATLAS é o terceiro objeto interestelar já identificado, depois de ‘Oumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019). Ele se formou em outro sistema estelar e provavelmente foi expulso por interações gravitacionais com planetas gigantes, viajando milhões de anos até cruzar o nosso caminho.
A análise espectroscópica feita por observatórios no Havaí e no Chile indica que o cometa contém materiais orgânicos e gelo interestelar, o que pode ajudar a entender como se formam planetas em outros sistemas solares.
Por isso, astrônomos do mundo todo estão usando grandes telescópios, como o VLT do ESO (Chile) e o James Webb Space Telescope, para registrar cada detalhe dessa passagem única.
Especialistas reforçam que o 3I/ATLAS não representa qualquer risco para a Terra. Sua órbita o mantém a uma distância segura — e, após dezembro, ele deixará definitivamente o Sistema Solar.
O fenômeno, segundo os cientistas, deve ser lembrado como uma das raras oportunidades da humanidade de observar um visitante de outro sistema estelar, algo que pode demorar séculos para acontecer novamente.
O BR104 consultou dados oficiais da NASA, do European Southern Observatory (ESO) e da União Astronômica Internacional (IAU).
As informações publicadas têm caráter científico e educacional, com base em registros observacionais e relatórios técnicos disponíveis até 30 de outubro de 2025.
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