O cometa interestelar 3I Atlas, descoberto em julho de 2025 pelo telescópio ATLAS, tem despertado intensa curiosidade na comunidade científica. Prestes a atingir o periélio — ponto mais próximo do Sol — no próximo 29 de outubro, o objeto vem emitindo sinais e ruídos eletromagnéticos que desafiam explicações convencionais e reacendem discussões antigas sobre comunicações cósmicas.
De acordo com dados da Agência Espacial Europeia (ESA) e da equipe do Telescópio Espacial James Webb, o Atlas é o terceiro visitante interestelar já confirmado, após o ‘Oumuamua’ (2017) e o 2I/Borisov (2019). Mas, diferente dos anteriores, o 3I Atlas apresenta um comportamento que alguns pesquisadores descrevem como “dialogar com a Terra”.
Os sinais detectados recentemente pelo radiotelescópio BAR e por sondas marcianas como a ExoMars e a Mars Express mostram emissões de rádio em frequências estreitas e estáveis, próximas à linha do hidrogênio neutro (1420 MHz) — a mesma faixa em que foi captado o famoso sinal “Wow!” em 1977.
O renomado astrofísico Avi Loeb, de Harvard, defende a hipótese de que o cometa possa ter origem semelhante à fonte do “Wow!”, ainda sem explicação definitiva. Ele sugere que a coincidência de posição e composição química reforça o elo entre os dois fenômenos.
Instrumentos espaciais têm detectado flutuações regulares, indicando que o Atlas emite ondas de rádio e radiação ultravioleta geradas por moléculas de hidroxila e dióxido de carbono em interação com o vento solar. Essas emissões, segundo cientistas, não representam comunicação inteligente, mas efeitos naturais do plasma cometário, um tipo de “ruído” que traz informações sobre o ambiente químico e magnético do corpo celeste.
Um laboratório natural em Marte
Durante sua passagem próxima a Marte, a apenas 27 milhões de quilômetros, sondas orbitais conseguiram registrar fenômenos inéditos. O Perseverance e a Mars Express captaram variações térmicas e luminosas súbitas no núcleo, com explosões que indicam cavidades internas liberando gases em jatos simétricos.
A análise espectroscópica revelou uma composição incomum, com altas concentrações de dióxido de carbono, baixo teor de água e três vezes mais deutério que os oceanos terrestres. Essa composição sugere que o cometa se formou em regiões extremamente frias e distantes de seu sistema de origem, preservando características químicas de mais de 10 bilhões de anos — o dobro da idade do Sistema Solar.
Com um núcleo estimado entre 3 e 11 quilômetros, o Atlas apresenta comportamento não gravitacional: pequenas variações em sua trajetória causadas por jatos de gás direcionados. Esse fenômeno, observado antes em Oumuamua e Borisov, é muito mais intenso no 3I Atlas, levando pesquisadores a classificá-lo como um “supercometa ressonante” — capaz de conduzir energia de forma quase ordenada, sem necessidade de ação inteligente.
O cometa que “fala” em ondas
O conjunto de dados obtidos até agora mostra que o 3I Atlas funciona como um ressonador natural, transformando energia solar em sinais de rádio detectáveis da Terra.
Esses sinais não indicam, segundo a maioria dos cientistas, nenhuma forma de vida ou tecnologia alienígena, mas sim um sistema físico altamente ativo, no qual moléculas excitadas pelo vento solar geram vibrações regulares de alta frequência.
“É como se o cometa estivesse nos enviando uma assinatura sonora de sua própria composição e dinâmica interna”, explicou um pesquisador da ESA.
Apesar da natureza provavelmente natural dos sinais, o fenômeno mantém abertas discussões sobre comunicações cósmicas e a busca por inteligência extraterrestre. As observações seguem sendo realizadas por telescópios terrestres e sondas marcianas até o fim do mês.
Próximas etapas da jornada do Atlas
Após sua passagem pelo periélio no dia 29 de outubro, o cometa seguirá sua trajetória para fora do Sistema Solar, cruzando as órbitas de Vênus (em 3 de novembro) e Júpiter (em março de 2026), a distâncias seguras da Terra.
Enquanto se afasta, continuará a fornecer dados valiosos sobre formação e evolução de corpos interestelares, ajudando a compreender a origem química do cosmos.
Com sua trajetória hiperbólica e atividade incomum, o 3I Atlas se despede deixando uma herança científica única: um conjunto de sinais, luzes e emissões que, embora naturais, lembram uma conversa cósmica entre o espaço e a Terra.
