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PMs são presos por execução de alagoano em situação de rua em São Paulo

Jeferson estava desarmado, rendido e com as mãos sobre a cabeça no momento em que foi atingido pelos disparos, conforme revelado pelas imagens da Câmera Operacional Portátil (COP).

Atualizado 6 meses atrás
Imagem da câmera corporal mostra Jeferson de Souza rendido momentos antes de ser morto por policiais no centro de São Paulo | @ Reprodução
Imagem da câmera corporal mostra Jeferson de Souza rendido momentos antes de ser morto por policiais no centro de São Paulo | @ Reprodução

Dois policiais militares de São Paulo foram presos após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público (MP-SP) que os acusa de envolvimento na morte de Jeferson de Souza, de 24 anos, um homem alagoano em situação de rua, executado a tiros de fuzil embaixo do Viaduto 25 de Março, no bairro do Brás, região central da capital paulista. O crime aconteceu em 13 de junho e gerou forte comoção após imagens da câmera corporal de um dos policiais contradizerem a versão oficial.

Jeferson estava desarmado, rendido e com as mãos sobre a cabeça no momento em que foi atingido pelos disparos, conforme revelado pelas imagens da Câmera Operacional Portátil (COP). A gravação mostra que ele não ofereceu resistência. Ainda assim, foi alvejado na cabeça, no tórax e no braço direito, enquanto era mantido sob custódia por três agentes.

O tenente que realizou os disparos responderá por homicídio duplamente qualificado, com as agravantes de motivo torpe e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Já o segundo policial, um soldado responsável pela câmera, foi denunciado por contribuir com a ação criminosa – ele aparece no vídeo tentando cobrir a lente com a mão durante a abordagem, possivelmente para impedir a captação das imagens.

Inicialmente, o caso foi registrado como uma tentativa de desarmamento e resistência por parte da vítima. Segundo a versão preliminar dos PMs, Jeferson teria tentado tomar a arma de um dos agentes após descer de uma árvore. Porém, o Ministério Público reavaliou a narrativa após analisar o vídeo completo da ocorrência, que desmente totalmente essa alegação. De acordo com o órgão, não há qualquer evidência de agressão ou tentativa de reação por parte de Jeferson, tampouco indícios de ameaça à integridade dos policiais.

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo determinou a prisão imediata dos dois envolvidos assim que as imagens vieram à tona. Eles foram encaminhados ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital, onde permanecem à disposição da Justiça. A Polícia Militar afirmou, por meio de nota, que repudia a conduta dos agentes e que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) por meio da Corregedoria para apurar o caso.

A defesa do tenente preso sustenta que houve legítima defesa e promete apresentar os argumentos em julgamento no tribunal do júri. Já a defesa do segundo envolvido ainda não se manifestou publicamente.