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Homem quebra recepção de hospital em protesto após filha nascer morta: “Mataram minha filha aqui”

O protesto aconteceu em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, e foi registrado em vídeo pelo próprio pai da criança.

Atualizado 7 meses atrás
Montagem mostra o pai em protesto, o casal durante a gestação e a mãe com o bebê nos braços no hospital | @ Reprodução
Montagem mostra o pai em protesto, o casal durante a gestação e a mãe com o bebê nos braços no hospital | @ Reprodução

Um homem identificado como Victor Petrick destruiu parte da recepção do Hospital Guararapes, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, em protesto contra a morte de sua filha, que nasceu sem vida após um parto induzido. O caso ocorreu na quarta-feira (2) e foi registrado pelo próprio Victor, que divulgou as imagens nas redes sociais como forma de denúncia por suspeita de negligência médica.

No vídeo, o pai aparece usando um capacete diante da unidade hospitalar, e logo em seguida invade o local. Ele quebra portas de vidro, computadores, mesas, impressoras e outros equipamentos da recepção. Durante o protesto, ele grita: “No memorial fazendo meu protesto sozinho. Eu queria só uma explicação, só uma. […] Acabou, não vai ter atendimento para ninguém, mataram minha filha. Mataram minha filha aqui. Não vai ter atendimento hoje para ninguém”.

Segundo nota do Hospital Guararapes, além dos danos materiais, alguns funcionários ficaram feridos por estilhaços de vidro e precisaram ser atendidos pela equipe médica da própria unidade. A Polícia Militar foi acionada pelo plantão administrativo, mas, ao chegar ao hospital, o homem já havia deixado o local.

A instituição afirmou, por meio de comunicado enviado ao g1, que “se solidariza com a família pela sua perda”, mas ressaltou que “não compactua com atos de violência e agressão”. Também informou que os danos patrimoniais serão investigados pelos órgãos competentes.

A prefeitura de Jaboatão dos Guararapes também se manifestou e declarou que está “à disposição da família para prestar todo o apoio necessário, conforme os protocolos vigentes e com base na escuta qualificada e humanizada”.

A bebê, filha de Isabelle Raissa Silva, morreu no domingo (29), após complicações no parto. Segundo Cristina da Silva, mãe de Isabelle e avó da criança, a gestante deu entrada no Hospital Guararapes por volta das 18h daquele dia para uma avaliação de rotina. A jovem estava com 9 meses e 2 semanas de gestação, e a família acreditava que o parto poderia ser induzido, conforme orientação de uma enfermeira do posto de saúde que acompanhou o pré-natal.

Cristina relatou que, por videochamada, acompanhou os primeiros procedimentos. Isabelle foi internada pouco depois da chegada e teve dois comprimidos de misoprostol inseridos via vaginal por uma enfermeira que assumiu o plantão após a saída da médica de plantão, considerada atenciosa pela família.

“Ela começou a sentir dores insuportáveis e relatou isso. A enfermeira disse: ‘É assim que a gente quer’”, relembrou Cristina. Pouco depois, segundo a avó da bebê, a jovem tomou mais um comprimido via oral, que ela acredita ser outra dose de misoprostol. A partir de então, a bebê teria começado a se contorcer na barriga da mãe, demonstrando sinais de sofrimento fetal.

“A criança foi toda para um lado só da barriga. Depois de muito tempo, a médica voltou, examinou minha filha e percebeu que o coração da bebê estava acelerado. Quando estourou a bolsa da minha filha, veio cocô na mão dela. Em seguida, ela não ouviu mais o coraçãozinho batendo”, contou Cristina.

Diante das complicações, Isabelle foi transferida para o Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (Imip), no Recife, onde passou por uma ultrassonografia e finalizou o trabalho de parto. No entanto, a criança já estava sem vida ao nascer.