A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga uma estagiária da Vara Criminal de Naviraí, cidade localizada a cerca de 360 km de Campo Grande, por suspeita de vazar dados sigilosos da segunda fase da Operação Adsumus, ação voltada ao combate ao tráfico de drogas e à desarticulação de grupos associados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as autoridades, a jovem teria repassado informações internas da Justiça para a própria irmã, que atua como advogada. Em seguida, a advogada compartilhou o conteúdo com o irmão das duas, conhecido da polícia por envolvimento com o tráfico e por ser considerado simpatizante do PCC. Esse último teria divulgado os dados em grupos de mensagens usados por integrantes da facção.
O vazamento aconteceu no início de outubro, dias antes da deflagração da segunda etapa da operação. A descoberta do crime se deu após a análise do celular de um dos investigados, onde foram encontradas mensagens detalhando a data da operação e até o uso de um helicóptero pela polícia.
Nesta terça-feira (14), a segunda fase da Operação Adsumus foi deflagrada com apoio da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Naviraí. Durante a ação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em residências ligadas aos suspeitos. A operação tem como foco enfraquecer o poder do PCC na região sul do estado e interromper rotas de tráfico de drogas.
A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar o vazamento e apurar a participação de cada envolvido. A estagiária poderá responder por violação de sigilo funcional e obstrução de justiça, enquanto os demais suspeitos podem ser enquadrados por associação criminosa e favorecimento pessoal.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul deve acompanhar o caso por meio da Corregedoria, já que a suspeita principal atuava como estagiária vinculada à Vara Criminal. A investigação segue em sigilo.
