A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro informou, neste domingo (2), que os corpos dos 117 suspeitos mortos durante a megaoperação policial realizada na última semana foram liberados do Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto, no centro da capital. Segundo o órgão, a liberação ocorreu na tarde de domingo, embora a direção do IML ainda não tenha se manifestado oficialmente sobre o procedimento.
A ação, considerada uma das mais letais da história do Rio, terminou com 121 mortos, sendo 117 suspeitos e quatro policiais. De acordo com informações do governo estadual, o IML já identificou 109 dos corpos, um aumento em relação ao número divulgado na última sexta-feira (99 identificações). Apesar da atualização, a lista nominal dos mortos ainda não foi tornada pública.
Segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública, entre os mortos, 43 possuíam mandados de prisão em aberto e 78 tinham histórico criminal significativo. Além disso, o levantamento aponta que 39 dos suspeitos não eram do estado do Rio de Janeiro, indicando a presença de integrantes de facções criminosas de outras regiões do país. Entre eles, há 13 do Pará, 7 do Amazonas, 6 da Bahia, 4 do Ceará, 4 de Goiás, 3 do Espírito Santo, 1 da Paraíba e 1 de Mato Grosso.
A operação, deflagrada a partir de uma denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), tinha como base um documento que citava 69 réus e solicitava 48 mandados de prisão preventiva. No entanto, conforme apuração da Defensoria e de fontes do próprio MP, nenhum dos nomes incluídos na denúncia está entre os mortos na ação policial.
A Defensoria Pública, que tem acompanhado o caso desde os primeiros dias, afirmou que segue prestando assistência jurídica e humanitária aos familiares das vítimas, além de monitorar o cumprimento de protocolos legais nos processos de identificação e liberação dos corpos. Organizações de direitos humanos também cobram transparência na divulgação das identidades e circunstâncias das mortes, levantando questionamentos sobre o uso da força durante a operação.
O governo do Rio, por sua vez, defende a atuação das forças de segurança, classificando a operação como “necessária e bem-sucedida” no combate ao crime organizado. A ação teve como foco comunidades dominadas por facções ligadas ao tráfico de drogas e milícias, e foi executada de forma integrada entre a Polícia Civil, a Polícia Militar e a Polícia Federal.
