Paulo Canuto

Luz no fim do túnel?

Cientistas da Universidade de Oxford começam testes promissores para vacina que promete imunizar contra a covid-19 e com entrega para ainda esse ano!

Publicado em: 30/04/20 às 20:36 | Atualizado em 30/04/2020 20:53


A “poucas horas” o mundo foi agraciado com a notícia de que uma vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford (UK) já está em fase de testes em humanos e obtendo êxito poderá ser entregue entre setembro e dezembro deste ano, contrariando as previsões de diversos cientistas ao longo do mundo que afirmaram que não haveria possibilidade de vacina antes de 18 meses. 

Essa notícia vem logo depois do Brasil ter registrado um número superior a 5.000 mortes pelo novo coronavírus (covid-19), além de registrar 474 novas mortes, números esses que só ficaram atrás de Estados Unidos e Reino Unido, o número também supera a quantidade total de mortes da China, país este onde o surto começou, no final de 2019. Os números assustam, ainda mais se levada em consideração que a época de pico da doença ainda está no início, e os países citados já mostram quedas nas estatísticas de mortos e infectados, enquanto no brasil esse número vem aumentando. Agora vamos saber um pouco mais sobre essa promissora vacina que a julgar pela pressa e os esforços contra o covid-19, pode ser a salvação que tantos esperam.

Além da inglesa, existem outras potencialmente eficazes e com a possibilidade de entrega ainda esse ano ?

De antemão é bom informar que empresas e governos estão se adiantando quanto a produção de vacina, o primeiro exemplo é o da Alemanha que autorizou as companhias farmacêuticas Pfizer e BionTech a começarem os testes de uma vacina em seres humanos, serão 200 pessoas testadas nos Estados Unidos e segundo as empresas, milhares de doses da vacina podem ficar prontas até o final do ano caso o teste seja bem sucedido.

O nome da vacina desenvolvida pelas farmacêuticas chama-se BNT162, baseada em mRNA (RNA mensageiro).Os pacientes irão receber doses que variam de 1 µg (micrograma) a 100 µg, uma forma de testar a eficiência e a segurança da imunização. 

No caso da inglesa, a mais promissora, o presidente do Instituto de imunização da Índia falou sobre a produção antecipada da vacina mesmo ainda estando em fase de testes “É o que esperamos fazer no final de maio – queremos começar a produzir esta vacina para que no final dos testes, em setembro, já possamos ter um produto para oferecer ao povo da Índia e ao mundo”, contou Adar Poonawalla, presidente do Instituto de Imunização da Índia.

A aceleração na produção se deu após o contato com a Universidade de Oxford no Reino Unido, antes a parceria era com os Estados Unidos e a previsão era para não antes de 2021, mas esse novo contato mudou tudo disse o pesquisador indiano, sobre essa vacina, que é uma das mais 100 que estão em desenvolvimento ao redor do mundo. A ideia de produção já no final de maio é que os testes sendo bem sucedidos o instituto tenha mais de 1 milhão de doses, para distribuição em larga escala.

Mas e a Inglesa, ela já foi testada?

Primeiro precisamos entender que apesar da velocidade citada pelos cientistas ingleses não nos dá ainda o conforto para tratarmos com combatida a pandemia, essa descoberta nos faz olhar com um pouco mais de esperança para que a resolução desse problema venha o mais breve possível, ainda mais tendo em vista que está em testes, mas os resultados vem agradando bastante.

Quem lidera a equipe de pesquisas é a professora de vacinologia Sarah Catherine Gilbert ela é uma vacinologista britânica, professora de vacinologia na Universidade de Oxford e co-fundadora da Vaccitech . Gilbert é especialista no desenvolvimento de vacinas contra influenza e patógenos virais emergentes. Ela liderou o desenvolvimento e o teste da vacina universal contra a gripe , que passou por testes clínicos em 2011. Em abril de desse ano, ela afirmou que, com mais financiamento, ela poderia entregar uma vacina covid-19 até setembro de 2020, e parece que seu pedido foi atendido.

Professora de vacinologia Sarah Gilbert, Universidade de Oxford. Fonte: Internet

 

O nome da vacina chama-se ChAdOx1 nCoV-19, a segunda parte do nome é fácil saber o porque, é em referencia ao Covid-19 ou novo coronavírus e a primeira parte refere-se ao ChAdOx1 que é um outro vírus, mais especificamente um adenovírus, já bastante conhecido, causador de uma variação do resfriado comum, capaz de infectar chimpanzés, mas geneticamente alterado para não poder se multiplicar no corpo humano.

Os testes foram iniciados numa espécie especial de macacos os rhesus que são o que mais temos próximo no reino animal do ser humano como fala o pesquisador e também integrante da equipe de pesquisa da professora Gilbert, Vincent Munster ao jornal The New York Times, disse também que os resultados da pesquisa além de serem compartilhados srão enviados a uma importante revista científica.

Nos macacos rhesus os teste se deram na seguinte forma, seis primatas receberam uma dose unica da ChAdOx1 nCoV-19 e ficaram em observação, os resultados foram muito animadores já que eles não se infectaram com a covid-19 mesmo ficando expostos por 28 dias ao micro-organismo. Esses resultados fizeram com que professora afirmasse que está 80% confiante de que a vacina terá êxito nos testes com humanos, o que num momento de pandemia é uma alta taxa.

E como se darão os testes em humanos?

Com efeitos colaterais considerados “leves e de curta duração” como dor no braço, febre e dor de cabeça, uma vacina a base do ChAdOx1 já foi usadas no passado e se mostrou segura, sendo ministrada num grupo de 320 pessoas e os relatos sobre os efeitos colaterais não contradizem os já citados. 

Com base nessas informações o ChAdOx1 que já foi adaptado para combater a Síndrome Respiratória do Oriente Médio ou MERS e seu nome é ChAdOx1 Mers, agora o ChAdOx1 está sendo replicado para combater o Sars-Cov-2, causador da Covid-19.

Para alcançar esse objetivo, a equipe incluiu material genético do Sars-Cov-2 ao ChAdOx1. Mais especificamente, foram incluídos os genes responsáveis pela produção da proteína Spike, que dá ao coronavírus o seu formato de coroa de espinhos. Essa proteína é chave para a penetração do vírus nas células humanas ao realizar a ligação com receptores ACE2. Com isso, quando a pessoa fosse infectada com o covid-19 seu organismo iria o reconhecer e desenvolver a resposta ao vírus.

O objetivo da vacina é oferecer ao organismo uma forma mais segura de entrar em contato com a proteína Spike, para que ele possa desenvolver a resposta imunológica adequada. Assim, o corpo já estaria preparado para conter o vírus em uma situação de contágio.

Para os ensaios com humanos serão 3 fases, na primeira um grupo de 1100 voluntários com idades entre 18 e 55 anos de idade, moradores de Oxford, Southampton, Londres e Bristol, que tenham sidos testados negativo para o vírus, terem boa saúde e moraram na áreas de recrutamento excluindo grávidas, mulheres que pretendem engravidar e as que estejam amamentando. Na segunda etapa serão incluídas pessoas mais idosas e na terceira o grupo será ampliado para 5.000 voluntários.

Nessa primeira fase os cerca de 1100 voluntários serão divididos em dois grupos de igual número, um irá receber a ChAdOx1 nCoV-19 visando a imunização do organismo contra o coronavírus, já a outra metade irá receber uma vacina que não serve para combater o covid-19. O motivo para o qual duas vacinas diferentes serem ministradas é porque os pesquisadores precisam ter certeza que a ChAdOx1 nCoV-19 funciona em comparação com outra vacina que não cria a imunidade contra o vírus, sendo assim eles vão eliminar qualquer outro viés e coincidência de resultados, esse grupo é chamado de “grupo de controle”.

Como se assegurar que os teste serão eficazes? 

Uma pergunta pode surgir quanto aos testes, porque não usar uma solução mais leve, como a salina para o grupo de controle? Os pesquisadores explicam que ambas as vacinas aplicadas possuem os mesmos efeitos colaterais e assim nenhum dos testados teria como saber qual vacina foi administrada em si, já que nenhum dos dois grupos saberá qual vacina está recebendo, o que faz todo sentido.

Em outras palavras o motivo para esse “segredo” nos testes é que, se o voluntário descobrir a qual grupo ele pertence, isso pode afetar o seu comportamento na comunidade, o que pode corromper a integridade do estudo criando vieses nos resultados. Para isso o grupo de controle receberá a vacina chamada MenACWY. Ela não tem como função combater a Covid-19, mas é usada no Reino Unido desde 2015 para imunizar contra diferentes tipos de meningococo, bactéria causadora da meningite e sepse.

Para se ter resultados mais seguros a transmissão do vírus tem que se dar de forma natural, diferente dos testes com os primatas rhesus que ficaram expostos por um tempo prolongado (cerca de 28 dias). Os cientistas estão contando com que a taxa de transmissão esteja alta na região para que eles possam obter resultados o mais rápido possível (em até 2 meses) porque se a taxa de transmissão diminuir os resultados podem vir em até 6 meses. Isso seria desastroso visto que os números de mortos e infectados é assombroso, sem contar que os números só crescem e cada vez mais nações estão registrando novos casos, tanto de infectados quanto de mortos.

O frio sempre foi um agente que cria um ambiente para se transmitir de forma mais fácil doenças respiratórias, mas estamos nos aproximando do verão no Reino Unido, o que leva a crer que a taxa de transmissão será menor, mas para isso a equipe já se adianta e procuram por parceiros para testar a vacina em outros países, assim aumentando o ritmo para atestar sua eficácia.

 

Com êxito nos testes de quanto tempo estamos falando para a vacina ser entregue?

Quando falamos em tempo, a professora Sarah Gilbert calcula que com êxito nos testes, o primeiro milhão de doses estaria pronto no outono do hemisfério norte desse ano, traduzindo, 3º trimestre, entre outubro e dezembro de 2020, porém existem entusiastas que acreditam que até setembro teremos esse primeiro milhão, levando em consideração que já há sinalização de produção antes mesmo do final dos resultados, com empresas assumindo o risco de perda de estoque caso o experimento seja falho.

Vamos elencar aqui separadamente 3 pontos importantes para que esse prazo, dentro de 2020, seja de fato alcançado:

  1. Usar uma base que seja conhecida da vacina para poder acelerar o tempo de produção;
  2. O inicio da produção em larga escala, mesmo ainda na fase de testes, já antecipando que o estudo será eficaz e assim uma dose massiva da vacina já estaria pronta ao seu final;
  3. Que as agências reguladoras acelerem seu processo de análise tendo em vista que estamos em meio a uma pandemia que está levando sistemas de saúde ao colapso e a milhares de mortos.

Existe sim o risco de não dar certo este experimento, a própria professora e chefe da equipe de pesquisadores trabalha com um taxa de 80% de confiança, mas mesmo assim, caso não se alcance os resultados esperados, eles pretendem melhorar essa nova vacina e partir para novos testes, ou então descartá-la totalmente caso os resultados sejam de fato ineficazes. Então só nos resta agora torcer, orar, enviar boas energias para que o êxito desses testes ocorram.

Para quem quiser entender de forma mais ampla como esse vírus funciona e ainda 8 maneiras de como os cientistas esperam oferecer imunidade contra o covid-19 a revista Nature publicou um artigo bem detalhado sobre o assunto, está em inglês mas o google tradutor não decepciona nesse sentido. 

Fontes para a produção do artigo:

Olhar digital

Correio Braziliense

Artigo da revista Nature

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