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Larissa Galindo

Pernambucana, administradora e graduanda em nutrição.

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Bacharela em Administração Pública pela UFAL, possui formação técnica em nutrição e dietética. Além disso, também é estudante de graduação em Nutrição. Os seus escritos abrangem os efeitos da alimentação na saúde, desmistificando os assuntos da área.


Saúde

“Zero açúcar”. Será mesmo?

Saiba alguns ingredientes que a indústria utiliza nos produtos fit que podem aumentar sua glicose.

Publicado: | Atualizado em 13/10/2021 18:40


Pasta de amendoim zero açúcar | © arquivo pessoal

Já comentei em meus textos anteriores sobre vários produtos alimentícios que possuem em sua composição o açúcar com nomes diferentes, mesmo que no paladar pareçam ser somente salgados ou contenham os dizeres “ZERO AÇÚCAR”, estes possuem açúcares disfarçados e aumentam a sua glicose igual, ou até mais, que o açúcar de mesa (sacarose).

Como acreditar nas embalagens? Por que as indústrias usam o termo “zero açúcar” mesmo que contenha? Como entender os rótulos? Por que esses produtos não são banidos, se estão “mentindo” sobre sua composição? Perguntas como essas sempre surgem em minhas redes sociais e acredito que vários leitores também possam ter esses questionamentos.

Por isso, no último texto, lancei a vocês a proposta de me enviarem embalagens de produtos alimentícios “zero açúcar” os quais tenham dúvidas se realmente não contém esse ingrediente. Recebi alguns que achei bem interessantes, dentre eles fiz a seleção de três, para compartilhar com os leitores e tirar essas dúvidas.

Bombom fit | © arquivo pessoal

Bombom fit | © Arquivo pessoal

A imagem acima é de um bombom de amendoim e castanhas com cobertura de chocolate. Em destaque verde estão o sorbitol e stévia, que são adoçantes que possuem baixo índice glicêmico do mesmo, porém, outro ingrediente destacado em vermelho é o maltitol. Esse adoçante é um poliol bem diferente do Eritritol ou Xylitol, pois ao contrário desses últimos, ele pode aumentar seus níveis de glicose no sangue, além de possuir o dulçor semelhante a aproximadamente 75% do açúcar e em torno de 75% do impacto glicêmico do açúcar. Ou seja, apesar de ser um adoçante, ele vai aumentar a glicose no sangue bem semelhante ao açúcar.

Pasta de amendoim zero açúcar | © arquivo pessoal

Pasta de amendoim zero açúcar | © Arquivo pessoal

A imagem acima é de uma pasta de amendoim gourmet “ZERO açúcar”. Sobre o maltitol, já expliquei na imagem anterior, porém a maltodextrina (grifada em roxo) é um tipo de açúcar (carboidrato) “produzido a partir da quebra parcial (hidrólise) do amido proveniente, principalmente, do milho. Mas outros vegetais (arroz, batata, mandioca e trigo) também podem ser utilizados como matéria-prima para produzir esse suplemento. O resultado é um pó branco adocicado, muito utilizado na indústria de alimentos para acrescentar dulçor e viscosidade em produtos, como molhos prontos para salada, produtos lácteos, embutidos, refrigerantes e pães.

O que acontece é que esse tipo de carboidrato tem um índice glicêmico bastante alto (semelhante ao do pão e da tapioca). Ele possui uma rápida absorção pelo organismo, disparando os níveis de açúcar no sangue, o que pode ocasionar um grave problema para diabéticos, por exemplo, que acabem consumindo esse tipo de produto já que tem “zero açúcar” no rótulo.

Beijinho fit | © arquivo pessoal

Beijinho fit | © Arquivo pessoal

A imagem acima é de um beijinho fit, enviada por uma seguidora. Perceba que há em destaque o adoçante sorbitol e eritritol. Ambos possuem baixo índice glicêmico. Esse é realmente um docinho para “comer sem culpa”. Claro que ninguém vai ficar se empanturrando (risos). Vale lembrar que o sorbitol em excesso tem um efeito laxativo, então, por este motivo, é importante ter moderação no consumo.

Para não restar dúvida se o que você está comendo tem açúcar disfarçado ou não, aposte em comida de verdade. Essa não tem erro, pois ela é o ingrediente.

É claro que diante da correria do dia a dia, às vezes queremos uma opção mais prática e diferente. Por isso, atenção a essas dicas de hoje e espero que tenham gostado. Vocês já aprenderam a identificar alguns dos vários nomes do açúcar para evitar o consumo, se o intuito é se alimentar de forma mais saudável e sem furar a dieta.

Aproveito para deixar um trecho do Material Suplementar da cartilha de alimentação infantil ABLC, produzido pela  Associação Brasileira Low Carb, com outros nomes de açúcar nos rótulos:

Diversos nomes do açúcar. Trecho do Material Suplementar da cartilha de alimentação infantil ABLC | © Associação Brasileira Low Carb

Diversos nomes do açúcar. Trecho do Material Suplementar da cartilha de alimentação infantil ABLC | © Associação Brasileira Low Carb

E gostaria ainda de informar que essa coluna acontece de forma mensal, e qualquer sugestão de temas que vocês queiram que sejam abordados aqui, basta mandar um direct no meu ig @larissaliragalindo, que terei o maior prazer em trazer as sugestões e sanar as suas dúvidas, sempre embasadas na literatura científica. Até o próximo texto!

 

Fontes:

ABLC – Associação Brasileira Low Carb

https://ablc.org.br/wp-content/uploads/2020/09/CartilhaAlimentacaoAdultos_ABLC_compressed.pdf

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maltodextrina