A pergunta “Quem foi Nise da Silveira” ganhou destaque em 2025. A alagoana, nascida em Maceió em 1905, tornou-se referência internacional em saúde mental ao defender um cuidado humanizado, sem violência e com uso terapêutico das artes.
A escolha do seu nome como tema do desfile da Emancipação 2025, em Maceió, conecta a história do estado a um legado que transformou o tratamento de pessoas em sofrimento psíquico no Brasil.
Quem foi Nise da Silveira
Nise formou-se em Medicina em uma época em que poucas mulheres ocupavam as salas de aula e os hospitais. Desde cedo, combateu práticas consideradas agressivas no tratamento psiquiátrico, como eletrochoque, lobotomia e confinamento prolongado. Em vez disso, propôs vínculo, escuta e liberdade gradativa, com ateliers de pintura, modelagem e música como portas de expressão e cuidado.
No Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, Nise estruturou um Ateliê de Pintura que revelou, em telas e cadernos, a potência criativa de pacientes com diagnósticos graves. Desse trabalho nasceria o Museu de Imagens do Inconsciente, acervo único que documenta trajetórias clínicas e artísticas e serve de referência para pesquisadores do mundo inteiro.
Em 1956, ela criou a Casa das Palmeiras, clínica-dia que substituiu grades por jardins, oficinas e convivência, reforçando a ideia de reabilitação psicossocial. O objetivo não era “apagar sintomas”, mas reconstruir laços e autonomia. Ao mesmo tempo, Nise dialogou com a psicologia analítica e introduziu no debate brasileiro um olhar atento para símbolos, sonhos e imagens, sempre ancorado no cotidiano dos pacientes.
A influência de Nise ultrapassou a psiquiatria. Sua atuação articulou direitos humanos, educação e cultura. Professores visitavam os ateliês para compreender como arte e escola se encontram no desenvolvimento humano. Artistas e cineastas levaram suas ideias para o grande público. A imprensa registrou, ao longo de décadas, o impacto de uma médica que trocou o jargão técnico por linguagem clara e cuidado concreto.

Nise da Silveira – @Reprodução
Linha do tempo com marcos essenciais da trajetória:
- 1905 — Nascimento em Maceió (AL).
- Anos 1930–40 — Atuação em hospitais públicos e crítica a terapias violentas.
- Década de 1940 — Criação do Ateliê de Pintura no Engenho de Dentro.
- 1952 — Fundação do Museu de Imagens do Inconsciente.
- 1956 — Abertura da Casa das Palmeiras (clínica-dia).
- Décadas seguintes — Difusão internacional do método e formação de equipes multidisciplinares.
Esses passos explicam por que o nome Nise da Silveira se tornou sinônimo de respeito à pessoa, uso da arte como cuidado e inovação em saúde pública. As ideias permaneceram atuais em políticas de atenção psicossocial, em projetos escolares e em ações culturais que valorizam memória, identidade e inclusão.
Por que ela é tema do desfile da Emancipação 2025
Em 2025, completam-se 120 anos do nascimento de Nise. A homenagem durante o desfile da Emancipação Poli1tica de Alagoas destaca uma figura nascida no estado e reconhecida no país e no exterior. A escolha tem caráter pedagógico e cívico: coloca estudantes, famílias e educadores em contato com uma história que reúne ciência, cultura e direitos.
A proposta mobiliza escolas públicas em atividades que vão além do ato cívico. Professores trabalham biografias, linhas do tempo e releituras artísticas. Alunos produzem cartazes, painéis e coreografias inspirados na obra de Nise. Bandas e fanfarras incorporam trilhas que dialogam com o tema. O público, por sua vez, encontra no desfile uma oportunidade de reconhecer a contribuição alagoana para a saúde mental.
O foco também recai sobre valores que Nise defendeu. A organização do desfile sublinha empatia, acolhimento e dignidade, palavras-chave presentes em sua prática. Em um evento que celebra a Emancipação Política de Alagoas, o tema sugere outra emancipação: a superação do estigma e a afirmação de que cuidado em liberdade é política pública possível.
Para quem acompanha a programação, a homenagem ajuda a situar o legado de Nise no cotidiano de Maceió e de Alagoas. Museus, escolas e serviços de saúde mental usam a data para abrir acervos, promover oficinas de arte e discutir boas práticas de atendimento. As ações somam educação formal, cultura e participação social, com linguagem acessível e foco na vida real das pessoas.
Pontos que conectam o tema ao desfile:
- Identidade alagoana: Nise nasceu em Maceió e levou o nome do estado para o mundo.
- Educação: o tema inspira projetos pedagógicos e materiais didáticos.
- Cultura: a arte como ponte entre expressão e cuidado.
- Cidadania: defesa de direitos e combate ao estigma em saúde mental.
- Serviço público: referência para redes de atenção psicossocial.
