Alagoas

“Não é o horário, é sobre ser mulher”, desabafa filho de vítima morta no Bosque das Arapiracas

Wesley Santos criticou comentários que tentam culpar sua mãe pela hora da caminhada e revelou que o local já era cenário de assédios constantes contra mulheres.

Composição de duas fotos lado a lado: à esquerda, Wesley Santos concede entrevista a um microfone da TV Gazeta; à direita, retrato de Cícera Laura da Silva, mulher de cabelos pretos e longos, vítima de feminicídio em Arapiraca.
Wesley Santos, filho de Cícera Laura, desabafa sobre a vulnerabilidade feminina e a violência no Bosque das Arapiracas. (Foto: Reprodução)

ARAPIRACA (AL) — Em uma entrevista impactante à TV Gazeta, Wesley Santos, filho de Cícera Laura da Silva, desabafou sobre a perda da mãe e a realidade da violência de gênero em Alagoas. O corpo de Cícera foi encontrado no Bosque das Arapiracas na última terça-feira (6), após dois dias de desaparecimento.

Wesley foi firme ao rejeitar discursos que tentam associar o crime ao fato de sua mãe caminhar sozinha às 04h30 da manhã. Para ele, o agressor agiu de forma oportunista, e o verdadeiro problema é a vulnerabilidade feminina.

“A questão não é o horário. A questão é que o meliante foi oportunista. Ele se aproveitou da oportunidade […] Não era a minha mãe, era qualquer uma que passasse e infelizmente foi a minha mãe […] Também não é sobre veste, não é sobre comportamento… é sobre ser mulher. Infelizmente em nosso país está muito difícil uma mulher ser mulher e fazer o que gosta”, desabafou Wesley.

O desabafo do filho da vítima trouxe à tona relatos de outras frequentadoras do Bosque das Arapiracas. Segundo ele, após a morte de Cícera, diversas mulheres relataram ter sofrido assédios, toques indevidos e abordagens constrangedoras com palavras de baixo calão nas proximidades do matagal. Esses novos testemunhos indicam que o local já apresentava riscos elevados para o público feminino antes mesmo da tragédia.

Sobre o crime

Cícera Laura utilizava as caminhadas matinais como terapia, segundo familiares. Ela foi encontrada em estado de decomposição e sem a calça, indícios que reforçam a tese de crime brutal.

Um homem foi preso na quarta-feira (7) suspeito de envolvimento no assassinato. Na quinta-feira (8), após passar por audiência de custódia, a Justiça decidiu converter a detenção em prisão preventiva, mantendo o suspeito custodiado enquanto a investigação prossegue.

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