Alagoas é o único estado que revelou três presidentes com trajetória política enraizada no estado, embora apenas dois tenham nascido em território alagoano.
Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto e Fernando Collor de Mello surgem em períodos de ruptura, crise institucional ou reestruturação democrática — um padrão que transforma o estado em peça estratégica nos ciclos de transição do país.
A participação alagoana começa no marco zero da República. Em 1889, o marechal Manuel Deodoro da Fonseca foi o responsável direto pela Proclamação, liderando a pressão militar que derrubou o Império em meio a disputas religiosas, frustração das Forças Armadas e tensões provocadas pela abolição da escravidão.
Para historiadores, sua escolha não foi apenas militar. Pesaram prestígio, articulação e a capacidade de oferecer estabilidade à nova forma de governo.
A sequência do protagonismo veio logo em seguida, com outro alagoano. Floriano Peixoto, o “Marechal de Ferro”, assumiu a Presidência em 1891 e se tornou o responsável por estabilizar o recém-criado regime. Foi ele quem conteve revoltas armadas e assegurou que a República sobrevivesse aos seus primeiros conflitos internos. O historiador Robson Willians Barbosa, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), destaca que Deodoro e Floriano consolidaram o regime “em um contexto de extrema fragilidade institucional que exigia liderança, legitimidade e resistência”.
Após os dois primeiros ciclos republicanos, a presença alagoana na chefia do Executivo reapareceu um século depois, novamente em um momento sensível. Em 1989, após 21 anos de regime militar e uma eleição indireta marcada pela morte de Tancredo Neves, o país voltou às urnas para escolher o presidente por voto direto. O eleito foi Fernando Collor de Mello, ex-governador de Alagoas, com mais de 35 milhões de votos. Collor se tornou símbolo da reabertura democrática e do retorno da participação popular ao processo eleitoral.
O padrão chama atenção: todas as vezes em que o Brasil atravessou períodos de instabilidade profunda — o fim do Império, o início da República e a reconstrução democrática — um alagoano assumiu a responsabilidade de conduzir a transição. Para especialistas, isso reflete não apenas personagens marcantes, mas também um ambiente político que historicamente prepara lideranças para cenários complexos e decisões de alto impacto.
Apesar de ter população e território modestos, Alagoas ocupa, assim, um espaço singular na história nacional. É o estado que mais vezes colocou um presidente no comando do país em momentos de redefinição do futuro político brasileiro. Um papel raro, decisivo e muitas vezes ignorado nos debates sobre formação, crises e reconstruções da República.
