Alagoas

Alagoas registra aumento de exploração sexual infantil, diz relatório

O crescimento de 45,1% vai na contramão do cenário nacional, onde houve uma queda de 7,9% nesse tipo de crime.

Atualizado 6 meses atrás
© Pixabay/MF Press Global
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Os dados mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 acenderam um alerta em Alagoas. O levantamento mostra que, em 2024, o estado registrou 20 ocorrências de exploração sexual infantil, contra 16 notificações em 2023. O crescimento de 45,1% vai na contramão do cenário nacional, onde houve uma queda de 7,9% nesse tipo de crime.

Segundo especialistas, a exploração sexual infantil não se restringe apenas à prostituição de crianças e adolescentes. O crime também envolve situações de uso comercial da violência, como a produção e o compartilhamento de imagens e vídeos de abuso, o tráfico de pessoas para fins sexuais e até o turismo motivado pela exploração de menores.

Em Alagoas, outro dado chamou ainda mais atenção: o número de ocorrências relacionadas à produção e distribuição de material de abuso sexual infantil subiu de maneira expressiva. O estado registrou um aumento de 82,1% nesses casos, um tipo de crime que também é classificado como exploração sexual. Nesse cenário, cada imagem ou vídeo compartilhado não apenas representa a violência sofrida pela vítima, mas amplia a permanência e o alcance da exploração.

O relatório do Anuário aponta que os crimes cometidos no ambiente virtual apresentam características que tornam sua investigação mais complexa e dificultam a produção de estatísticas confiáveis. O documento alerta que os números divulgados representam apenas a ponta do problema, já que a subnotificação é recorrente. Muitas vítimas não conseguem denunciar ou sequer têm consciência da gravidade da violência sofrida.

“As dinâmicas não se encaixam na lógica tradicional das polícias especializadas no enfrentamento de crimes de rua e impõem severos desafios para investigação, repressão e prevenção. A natureza desterritorializada dos crimes digitais dificulta a compreensão e análise dos registros por unidade da federação, já que as vítimas, autores e distribuidores do material podem estar em diferentes estados ou países”, destaca um trecho do anuário.