A Central Única das Favelas núcleo de Alagoas (CUFA/AL) em parceria com o Movimento Sem Terra de Alagoas (MST/AL), Movimento Povos das Lagoas e o Greenpeace Brasil promoveram uma ação que entregou 60 cestas básicas para famílias em vulnerabilidade social nas regiões periféricas, e também para os artistas circenses de Alagoas e do grupo cultural Batuque Mundaú, no último domingo (25/04).
A ação começou às 11h da manhã e seguiu até às 00h. As cestas agroecológicas foram entregues a 5 circos, sendo 3 em Rio Largo, e 2 em Marechal Deodoro. Além disso, elas também foram recebidas pelo grupo cultural Batuque Mundaú, situado na Orla Lagunar, no Vergel do Lago, assim como também na Massaguera, Rio Novo, Jarbas Oiticita.
O foco da ação foi as mães solteiras com filhos pequenos e/ou com idosos, famílias em situação de vulnerabilidade, e também foram abraçados alguns artistas; neste caso, os artistas de circo e do grupo cultural Batuque Mundaú, alguns dos mais afetados pela pandemia, já que praticamente toda ação cultural está suspensa.
O circo Shenayder que está armado no campo do progresso, em Rio Largo, há 1 ano e 2 meses, recebeu 7 cestas agroecológicas da Cufa Alagoas. O Fábio Aroldo, um dos administradores do circo, falou com emoção sobre essas cestas:
– Toda família da companhia Shenayder fica muito agradecida pela solidariedade da ação que fizeram por nós. Estamos há mais de um ano sem trabalhar, e por isso, sem renda nenhuma. A nossa renda, assim como de todos os circos, vem das bilheterias, e como todos sabem, estão fechadas. Somos gratos a essa ação que recebemos ontem, uma cesta básica muito boa, que, inclusive, veio até carne. Só gratidão, e que Deus ilumine eles para que consigam ajudar mais gente. Tem muito circo passando por dificuldades. A felicidade de um artista é os aplausos, mas hoje os aplausos vão pra todos que fazem a Cufa Alagoas. O que estamos passando não desejo a ninguém, mas Deus é fiel – conta Aroldo.

Famílias recebendo cestas básicas – © Cufa
Ao total, foram 1,3 toneladas de alimentos oriundos majoritariamente da reforma agrária em Alagoas – ou seja, da agricultura familiar – distribuídos em 60 cestas agroecológicas. Essa foi uma ação emergencial que faz parte da Campanha de Agroecologia do Greenpeace Brasil que uniu as forças e os recursos da instituição com a expertise e a força de trabalho na base da Cufa e MST para distribuir essas cestas.
Cosme Napoleão dos Santos, liderança da Cufa Jacaré/Massagueira – Lagoas Mundaú e Manguaba, comenta da importância de uma ação dessa natureza:
– Essa ação é muito importante. Devido a essa pandemia em que estamos vivendo, tem muitas mães com fome. E é muito gratificante a gente estar nesse trabalho, lutando para levar uma qualidade de vida melhor, como o alimento e outros donativos. Dividimos as cestas para algumas mães que estão em maior situação de vulnerabilidade e entre alguns circos, e o Batuque Mundaú, que foram muitos afetados pela pandemia. É muito bom fazer parte dessa equipe da Cufa que está mudando a vida de muitas mães em situação de favela – explica Cosme Santos.
Outro objetivo da campanha é de fomentar e fortalecer os pequenos agricultores familiares que são responsáveis por praticamente 70% a 80% dos alimentos saudáveis que vão para a nossa mesa. É importante dizer que, o Brasil, infelizmente, voltou ao mapa da fome da ONU, já que estamos com cerca de 19 milhões de pessoas em situação de fome e de insegurança alimentar, de acordo com dados oficiais do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan). É preciso reverter essa situação, pois é inadmissível que um país do tamanho do Brasil, com riquezas e diversidades de produção, ainda tenha pessoas em situação de insegurança alimentar.

Artistas de circo recebendo a cesta básica – © Cufa
Assim como o circo Shenayder e outros circos, o grupo cultural Batuque Mundaú também foi contemplado com 10 cestas agroecológicas que levaram um pouco mais de alegria e esperança para as famílias dos batuqueiros. O grupo tem como intuito trabalhar no resgate de jovens, evitando assim a entrada ou até incentivado a saída do mundo das drogas/violência.
– Com o começo da pandemia, os meninos não conseguiram tocar o ano passado, onde já estava montada uma agenda de aparições para eles, pois prestigiar o batuque é algo maravilhoso. Os meninos são talentosos, e quando prestigiados, se sentem maravilhados, trazendo reconhecimento ao seu trabalho. Com a parada por conta da pandemia, muitos ficaram no ócio de não ter o que fazer, já que até os ensaios foram suspensos por ordem da saúde. O trabalho parou e o “lucro” que eles conseguiam por aparições (nem sempre eles tinham cachê) fazem muita falta nos lares. Com a ajuda da Cufa, viemos realizando entregas regulares de mantimentos e/ou projetos para retirar eles do ócio, e garantir acesso ao lazer e uma alimentação digna – explica Jacqueline Gonçalves de Araújo, líder comunitária e coordenadora da Cufa Mundaú e do grupo cultural Batuque Mundaú.
Outras ações como estas estão sendo articuladas para aumentar o alcance e a ajuda às famílias em situação de vulnerabilidade, assim como os artistas de comunidade periféricas, para poder prover uma vida mais digna para todos eles. Para mais informações sobre essas e outras ações, você pode entrar em contato pelos números (82) 98849 2085 ou 99919 8122.




