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Justiça nega indenização por suposto erro médico em UPA de Coruripe; entenda a decisão

O Tribunal de Justiça de Alagoas seguiu laudo técnico que comprovou que a agulha de insulina não alcança o nervo ciático; sequelas motoras decorreram de infecção posterior.

Fachada da UPA 24h de Coruripe em Alagoas, unidade de pronto atendimento citada em decisão da Justiça sobre suposto erro médico
Fachada da UPA 24h de Coruripe, em Alagoas, mencionada em processo no qual a Justiça negou indenização por suposto erro médico. (Foto: Reprodução)

CORURIPE (AL) — A Justiça de Alagoas negou o pedido de indenização de uma paciente contra o Município de Coruripe por suposto erro médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) local.

O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) manteve a sentença de improcedência nesta segunda-feira (09/02/2026), após perícia oficial comprovar que não houve ligação direta entre a injeção aplicada e as sequelas motoras sofridas pela autora.

A paciente buscou atendimento na UPA de Coruripe para tratar um quadro de saúde que exigiu a aplicação de uma injeção intramuscular de insulina.

Após o procedimento, a autora alegou que a agulha atingiu o seu nervo ciático, o que teria provocado dores intensas, perda de mobilidade e danos estéticos permanentes.

Com base nessa acusação, a paciente acionou a justiça pleiteando reparação por danos morais e estéticos.

Em primeira instância, o juízo de Coruripe julgou o pedido improcedente, levando a autora a recorrer para a segunda instância do tribunal estadual.

Por que a perícia descartou o erro médico?

O ponto central do julgamento na 1ª Câmara Cível foi o laudo pericial oficial.

O perito judicial explicou que a agulha utilizada para a aplicação de insulina é curta e não possui comprimento suficiente para alcançar o nervo ciático na região glútea.

O documento técnico classificou a acusação da paciente como “incompatível” com a anatomia humana e o material médico utilizado.

Além disso, os exames revelaram que as sequelas apresentadas por ela decorreram de um processo infeccioso severo que surgiu dias após o atendimento.

Essa infecção exigiu procedimentos complexos, como enxertos e desbridamentos, mas os magistrados entenderam que ela não teve origem na conduta dos profissionais da UPA.

Qual foi a decisão final do Tribunal de Justiça?

A relatora do processo, juíza convocada Adriana Carla Feitosa Martins, votou pela manutenção da sentença, sendo acompanhada de forma unânime pelos demais desembargadores.

O tribunal entendeu que, sem a prova do nexo causal — a conexão real entre o ato médico e o dano —, o município de Coruripe não pode ser condenado a pagar indenizações.

A decisão final fixou os seguintes pontos:

  • Manutenção da improcedência total dos pedidos de indenização;
  • Majoração dos honorários advocatícios para 11% sobre o valor da causa;
  • Suspensão da cobrança das custas, pois a autora é beneficiária da justiça gratuita.

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