Policial

MP e GAESF investigam máfia de reutilização de materiais descartáveis em hospitais de Maceió

Inquérito Civil revela que empresas estariam reprocessando ilegalmente itens de uso único; Justiça autorizou quebra de sigilo e interceptação telefônica dos investigados.

Seringas e agulhas descartáveis espalhadas sobre fundo azul, representando materiais médicos de uso único em ambiente hospitalar
Seringas e agulhas descartáveis ilustram investigação sobre suspeita de reutilização de materiais em hospitais de Maceió. (Foto: Reprodução)

MACEIÓ — Uma investigação do Ministério Público de Alagoas (MPAL) apura um esquema criminoso de reutilização de materiais hospitalares descartáveis por empresas que fornecem insumos para unidades de saúde na capital.

O caso, que corre sob o número 06.2022.00000580-0, avançou nesta segunda-feira (09/02/2026) com a confirmação de medidas cautelares rigorosas.

A entrada do GAESF (Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal e aos Crimes Contra a Ordem Tributária) no caso elevou o patamar da investigação.

O grupo especializado atua quando há indícios de organização criminosa estruturada para fraudar o sistema público e privado.

A suspeita é que materiais como cateteres, ponteiras cirúrgicas e outros itens rotulados pela Anvisa como “proibido reprocessar” estariam sendo recolhidos do lixo infectante, submetidos a uma limpeza superficial e reembalados.

A fraude permite que as empresas lucrem alto ao cobrar preço de mercado por produtos que deveriam ser incinerados.

Interceptações telefônicas buscam flagrar os chefes do esquema

Para desarticular a logística do grupo, o Ministério Público obteve na Justiça a interceptação telefônica de sócios e gerentes das empresas suspeitas.

O monitoramento em tempo real busca identificar o fluxo de “peças informativas” e o exato momento em que os materiais reciclados são reintroduzidos nos hospitais.

O relatório apresentado pelo Dr. Isaac Sandes Dias ao colegiado aponta que o monitoramento telefônico visa consolidar as provas de autoria e detalhar a participação de cada empresa no esquema.

Os nomes das empresas e dos envolvidos permanecem sob sigilo estratégico para evitar a destruição de estoques ilegais antes de uma futura operação de busca e apreensão.

Quais os riscos para os pacientes?

A prática de reutilizar materiais descartáveis é considerada de extrema gravidade pelas autoridades sanitárias. O uso desses itens pode causar surtos de infecção hospitalar por bactérias multirresistentes, além da transmissão de doenças como HIV e Hepatites B e C.

O BR104 continuará acompanhando os desdobramentos deste caso. Até o momento, o Ministério Público de Alagoas não confirmou se o material contaminado chegou a ser utilizado em cirurgias na rede pública ou se o esquema se limitava a hospitais privados.

Correções: Encontrou um erro? Fale com a redação: contato@br104.com.br.