UNIÃO DOS PALMARES (AL) — O vereador Leonardo Dias (PL) criticou duramente a neutralidade do prefeito de Maceió, JHC, sobre a prisão de Jair Bolsonaro.
Em entrevista ao BR104, Dias afirmou que o gestor da capital, na condição de presidente estadual do partido, deveria se posicionar de forma “humanitária” diante da condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2025.
O vereador afirmou que JHC precisa ser mais incisivo para que os alagoanos saibam o que ele pensa sobre o sistema político atual.
Dias classificou o silêncio do prefeito como uma falha de liderança e de humanidade, especialmente após Bolsonaro completar 70 anos e enfrentar o agravamento de problemas de saúde no cárcere.
“Eu acho que ele [JHC] deveria ter ali se posicionado, né, como presidente do partido e mesmo como ser humano”, declarou Leonardo Dias.
O parlamentar destacou que políticos até de outros espectros se compadeceram da situação, enquanto a cúpula do PL em Alagoas tem evitado declarações públicas de apoio ao ex-presidente desde o final do ano passado.
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Leonardo Dias comparou o tratamento jurídico dado aos dois ex-presidentes que residem ou têm base em Alagoas.
Para o vereador, a diferença entre as penas de Bolsonaro e Fernando Collor escancara o que ele define como perseguição seletiva do Judiciário.
- Jair Bolsonaro: Cumpre pena de 27 anos e 3 meses em regime fechado em Brasília desde novembro de 2025.
- Fernando Collor: Está em prisão domiciliar humanitária em Maceió desde maio de 2025, devido ao diagnóstico de Mal de Parkinson.
- Diferença de suporte: Dias alega que Collor está “assistido e confortável”, enquanto Bolsonaro sofre privações médicas severas na prisão.
O que explica o silêncio de JHC no comando do PL em Alagoas?
A postura pragmática de JHC em 2026 está ligada à governabilidade e às articulações no Judiciário.
Em setembro de 2025, a tia do prefeito, a procuradora Marluce Caldas, tomou posse como ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nomeação que exigiu diálogo direto com o Governo Federal.
Além disso, o prefeito busca consolidar sua imagem de gestor moderado para a disputa estadual, distanciando-se de pautas ideológicas radicais que possam gerar atritos com o repasse de recursos federais.
Essa estratégia é o ponto central da insatisfação da ala liderada por Leonardo Dias, que vê o movimento como um abandono das bases bolsonaristas que garantiram a reeleição de JHC em 2024.
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