UNIÃO DOS PALMARES (AL) — A noite desta segunda-feira (29) foi marcada por uma cena de horror na principal avenida de União dos Palmares. Uma mulher foi brutalmente agredida com socos e chutes — supostamente pelo próprio irmão.
O que mais chocou a população, no entanto, não foi apenas a violência física, mas a reação dos presentes: enquanto a vítima era golpeada, um grupo de pessoas assistia passivamente, alguns chegavam a rir e muitos se limitavam a filmar o crime com o celular.
O vídeo, que rapidamente viralizou em grupos de WhatsApp, levanta uma questão perturbadora: por que a sociedade prefere registrar a violência a intervir para salvar uma vida?
Especialistas explicam que esse comportamento não é apenas falta de empatia, mas um fenômeno conhecido como Efeito do Espectador ou Difusão de Responsabilidade.
Em Alagoas, os índices de violência contra a mulher costumam apresentar picos durante as festas de fim de ano. O consumo de álcool e as reuniões familiares são gatilhos comuns, mas a omissão de quem presencia o crime é o que muitas vezes sela o destino trágico das vítimas.
A psicologia por trás da omissão: O Efeito do Espectador
De acordo com psicólogos sociais, quanto maior o número de pessoas presenciando uma agressão, menor a chance de cada indivíduo agir. “Ocorre uma diluição da responsabilidade. O indivíduo pensa que, se há tanta gente olhando, alguém mais capacitado irá intervir ou já acionou as autoridades”, explica o psicólogo clínico Dr. Marcos Vinícius (CRP-AL).
Além disso, o uso do celular cria uma “barreira de vidro” emocional. Ao colocar o aparelho entre ele e a cena, o observador deixa de ser um participante social para se tornar um espectador de um conteúdo digital.
“O riso, em alguns casos, pode ser uma reação nervosa de negação, mas também reflete a desumanização da vítima, que passa a ser vista apenas como ‘um vídeo que vai viralizar'”, completa o especialista.
Violência contra a mulher em Alagoas: Dados reais
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) confirmam que o estado ainda luta contra altos índices de feminicídio e agressões domésticas. No fim de ano, o isolamento das vítimas e o aumento das tensões familiares agravam o cenário.
- Impunidade percebida: Muitos deixam de ajudar por medo de represálias do agressor ou por acreditar que “em briga de família não se mete a colher”.
- Crime de Omissão: Vale lembrar que deixar de prestar socorro à vítima de violência, quando é possível fazê-lo sem risco pessoal, pode configurar crime de omissão de socorro (Art. 135 do Código Penal).
O que fazer ao presenciar uma agressão?
1. Devo intervir fisicamente?
A orientação é não se colocar em risco. Se o agressor estiver armado ou for muito superior fisicamente, a intervenção direta pode gerar mais vítimas. No entanto, gritar, fazer barulho ou intervir em grupo pode afugentar o agressor.
2. Qual a forma mais eficaz de ajudar?
Ligar imediatamente para o 190. Se possível, anote características do agressor e a placa de veículos. Filmar pode servir como prova para a polícia, mas nunca deve ser prioridade antes de buscar socorro para a vítima.
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