Coruripe

Após acordar levando socos, mulher reage e mata marido com facada em Coruripe

Crime no Poxim: Gidelma Firmino, 37, diz que acordou sob socos e reagiu. Na noite anterior, marido já teria tentado matá-la com uma peixeira.

jonathan bispo dos santos conhecido como torinho em imagem utilizada para identificacao em materia policial
Jonathan Bispo dos Santos, conhecido como “Torinho”, tinha 30 anos. (Foto: Reprodução)

CORURIPE/AL — Um caso de violência doméstica com desfecho fatal marcou a manhã deste sábado (13) no Povoado Poxim, zona rural de Coruripe, Litoral Sul de Alagoas. Gidelma Firmino, de 37 anos, matou o companheiro, Jonathan Bispo dos Santos (30), com um golpe de faca no peito.

O que a princípio seria tratado como homicídio, ganhou novos contornos após a chegada da polícia: a mulher apresentava marcas visíveis de agressão no rosto e a principal testemunha corroborou a versão de que ela agiu para salvar a própria vida.

Segundo as informações apuradas e confirmadas pela Polícia Civil, o crime foi o capítulo final de um ciclo de violência:

Gidelma relatou em depoimento que foi acordada pelo marido, que estava sobre ela, desferindo socos contra seu rosto.

Em meio à luta corporal, ela conseguiu se desvencilhar, correu até a cozinha e pegou uma faca doméstica.

Quando Jonathan avançou novamente em sua direção, ela desferiu um único golpe na região do tórax. O homem não resistiu e morreu no local.

A “Noite de Terror” 

A tese de Legítima Defesa — que mantém Gidelma em liberdade neste momento — é sustentada pelo histórico imediato.

Relatos colhidos pela investigação apontam que, na noite anterior (sexta-feira), Jonathan já havia tentado matar a esposa armado com uma faca peixeira. Naquela ocasião, a tragédia só foi evitada porque o proprietário da casa onde o casal morava interveio fisicamente e conseguiu desarmar o agressor.

O que diz a Polícia

O delegado Rômulo Andrade destacou pontos técnicos que reforçam a versão da mulher:

  1. As lesões físicas encontradas no rosto de Gidelma são compatíveis com o relato de espancamento.
  2. O depoimento do dono da casa (testemunha ocular da sexta-feira) confirma a agressividade da vítima.
  3. A própria autora procurou a Polícia Militar após o fato.

O inquérito será conduzido pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A polícia aguarda laudos periciais, mas, preliminarmente, Gidelma responde em liberdade. A investigação avaliará a Excludente de Ilicitude — dispositivo legal que isenta de pena quem comete um ato ilícito para repelir injusta agressão a direito seu ou de outrem.

Se você sofre violência doméstica, não espere o pior acontecer. Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar).

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