MACEIÓ (AL) — O anúncio feito nesta sexta-feira (5) pela família Bolsonaro, indicando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o pré-candidato oficial da direita à Presidência da República, reverbera imediatamente nos planos de poder em Alagoas.
A decisão nacional impacta diretamente a estratégia dos dois principais antagonistas da política local: o prefeito de Maceió, JHC (PL), e o Ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB).
A definição do “filho 01” para substituir o pai na urna desenha o cenário de nacionalização da campanha estadual de 2026, colocando frente a frente o palanque do PL (Bolsonarismo) e o do MDB (Lulismo).
O “fator Flávio” para JHC
Para JHC, presidente do PL em Alagoas e virtual candidato ao governo, ter um nome da família Bolsonaro na cabeça de chapa é vital. O prefeito governa uma capital majoritariamente conservadora e precisa da transferência de votos do ex-presidente para enfrentar a máquina do MDB no interior.
A entrada de Flávio Bolsonaro resolve o problema da “falta de candidato”, mas traz desafios. Diferente de Tarcísio de Freitas ou Michelle, Flávio carrega um passivo jurídico (o caso das “rachadinhas”) que pode ser explorado pelos adversários. JHC terá a missão de “vender” o senador carioca ao eleitorado alagoano, garantindo que a onda azul de Maceió não perca força.
O contra-ataque de Renan Filho
Para o grupo do Ministro Renan Filho, a escolha de Flávio é vista estrategicamente como um ponto favorável. Renan Filho, um dos principais ministros de Lula e fiador do governo federal em Alagoas, terá facilidade em polarizar o debate.
Nos bastidores, avalia-se que enfrentar Flávio é “mais fácil” do que enfrentar um perfil técnico como Tarcísio. A estratégia do MDB deve ser colar a imagem de JHC à de Flávio, nacionalizando a disputa (Lula vs. Bolsonaro) para tentar desgastar o prefeito na capital e consolidar a vantagem no interior, onde o lulismo é hegemônico.
Onde fica Arthur Lira?
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), mantém o pragmatismo. Embora tenha bases conservadoras na Zona da Mata e no Agreste, Lira hoje é peça-chave da governabilidade de Lula. A tendência é que ele observe a viabilidade eleitoral de Flávio antes de fechar qualquer aliança formal com JHC ou Renan Filho para a chapa majoritária.

Deputado Arthur Lira durante discurso em evento público. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
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O que já está confirmado
- O Nome: Jair Bolsonaro e o PL validaram Flávio como pré-candidato.
- O Palanque: Em Alagoas, JHC é o responsável por montar a estrutura para o candidato do PL.
O que ainda não foi informado
- A Vice: Não há definição de chapa, nem se o PP de Arthur Lira apoiará o projeto da direita oficialmente.
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