Boca da Mata

Câmara de Vereadores de Boca da Mata é investigada suspeita de contratações irregulares

Existem 11 cargos efetivos vagos, o que reforça a suspeita de que funções permanentes estariam sendo preenchidas por pessoas sem vínculo efetivo.

Atualizado 2 meses atrás
vereadores reunidos em sessao na camara municipal de boca da mata durante investigacao do mp sobre suspeita de contratacoes irregulares
Vereadores durante sessão na Câmara Municipal de Boca da Mata, alvo de investigação do MP por suspeita de contratações irregulares e terceirizações ilícitas. (Foto: Reprodução)

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) abriu um Inquérito Civil para apurar possíveis irregularidades na Câmara Municipal de Boca da Mata, após denúncia de que o Legislativo estaria funcionando há mais de três décadas – 34 anos – sem realizar concurso público e recorrendo a contratações precárias e terceirizações supostamente ilícitas para manter cargos permanentes.

A investigação nasceu de uma denúncia enviada à Ouvidoria do MP, relatando que a Casa Legislativa não possui Procurador Legislativo, não tem assessoria jurídica concursada e continua operando com cargos vagos há anos. A investigação indica ainda que servidores foram se aposentando ou falecendo sem que as vagas fossem preenchidas por meio de concurso.

Ao requisitar informações, o Ministério Público se deparou com uma confissão oficial da própria Câmara: o último concurso público foi realizado em 1991. Hoje, segundo a resposta enviada ao MP, existem 11 cargos efetivos vagos, o que reforça a suspeita de que funções permanentes estariam sendo preenchidas por pessoas sem vínculo efetivo — configurando burla ao art. 37 da Constituição Federal.

Diante da inconsistência das informações apresentadas, especialmente a alegação de que a Câmara teria “apenas um servidor sem vínculo permanente”, o promotor de Justiça Cláudio Luiz Galvão Malta elevou o caso e ordenou a abertura do Inquérito Civil nº 06.2025.00000472-4.

No despacho, o MP determina que o Presidente da Câmara Municipal envie, em até 30 dias, a folha de pagamento analítica e a relação completa de todos os servidores, comissionados, contratados e terceirizados que atuam na estrutura do Legislativo — dados essenciais para confirmar ou refutar a suspeita de terceirização irregular.

O documento também traz um alerta duro:

“O não atendimento ou a sonegação de documentos poderá ensejar responsabilização por ato de improbidade administrativa e crime de desobediência.”

A promotoria pede ainda que o procedimento seja enviado ao Conselho Superior do MP e publicado no Diário Oficial, ampliando a fiscalização institucional sobre o caso.

A reportagem entrou em contato com a Presidência da Câmara de Boca da Mata e aguarda posicionamento. Caso as suspeitas se confirmem, o inquérito pode resultar em Ação Civil Pública, responsabilização de gestores e determinação para a realização de concurso público.

A investigação segue em andamento.

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