BRASÍLIA (DF) — A bancada federal de Alagoas vive um impasse que pode custar caro aos cofres do estado. Até o momento, os deputados e senadores não conseguiram registrar as emendas de bancada ao Orçamento de 2026 (PLOA) porque a ata da reunião que define o destino do dinheiro não foi validada dentro das regras da Comissão Mista de Orçamento (CMO).
Pela regra do Congresso, para o dinheiro ser liberado, a decisão precisa ter a assinatura de, no mínimo, três quartos dos deputados federais e dois terços dos senadores. Segundo informações de bastidores, a falta de consenso político entre os grupos rivais do estado impediu que esse quórum fosse atingido, travando o envio oficial do documento.
Quanto dinheiro está em jogo?
Embora os valores exatos oscilem conforme a arrecadação, estimativas apontam que o “envelope” de emendas de bancada para Alagoas pode variar entre R$ 300 milhões e R$ 415 milhões. Sem a ata validada, esse recurso fica “solto” em Brasília e pode ser redistribuído ou perdido, em vez de virar obras garantidas para o estado.
Se o impasse não for resolvido, municípios como União dos Palmares, Murici, São José da Laje, Branquinha e Ibateguara entram na zona de risco. Sem a definição das emendas agora, prefeitos ficam sem saber se terão verba federal garantida para grandes obras (como pavimentação, saúde e equipamentos agrícolas) em 2026. As emendas de bancada são, historicamente, a fonte de financiamento para projetos estruturantes que as prefeituras não conseguem pagar sozinhas.
O BR104 tentou contato com a coordenação da bancada alagoana para saber se há prazo para uma nova reunião de validação, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Entenda a polêmica
- O Problema: A ata (documento oficial) com a lista de obras não teve assinaturas suficientes.
- A Causa: Disputa política entre grupos rivais da bancada federal.
- O Risco: Perda de controle sobre cerca de R$ 300 a R$ 400 milhões do Orçamento 2026.
- A Consequência: Menos dinheiro carimbado para obras nas cidades do interior.
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