Ao afirmar, em evento oficial na comunidade quilombola Muquém, que “jamais” trocará o nome Palácio Zumbi dos Palmares, o prefeito Júnior Menezes confirmou que não acatará a indicação aprovada na Câmara para restaurar o título Palácio Antônio Gomes de Barros.
A decisão, tomada após forte repercussão negativa, reforça o discurso do ex-prefeito Areski Freitas em defesa da homenagem a Zumbi e impõe uma derrota política ao vereador Ricardo Praxedes, autor da proposta e adversário histórico de Areski.
A crise foi deflagrada quando a Câmara Municipal aprovou indicação sugerindo que a sede do Executivo deixasse de se chamar Palácio Zumbi dos Palmares para voltar ao nome Palácio Antônio Gomes de Barros, referência à tradicional família Gomes de Barros, ligada à história política do município.
A articulação teve à frente o vereador Ricardo Praxedes, com apoio de aliados, e foi apresentada como tentativa de “corrigir” uma suposta injustiça da gestão anterior, quando o então prefeito Areski Freitas alterou o nome do prédio.
Na prática, a indicação tinha peso político, mas dependia de ato do Executivo para surtir efeito. Foi justamente nesse intervalo que o movimento encontrou resistência. A decisão ocorreu em União dos Palmares, berço histórico de Zumbi e da resistência quilombola, cidade-símbolo da luta negra no país, o que ampliou a leitura simbólica do gesto.
A repercussão contrária ganhou força nas redes sociais, em setores do movimento negro e entre lideranças locais, que apontaram incoerência em retirar o nome de Zumbi da fachada da Prefeitura às vésperas do Dia da Consciência Negra.
A iniciativa passou a ser percebida como sinal de retrocesso na valorização da memória afro-brasileira, ainda que formalmente apresentada como mera “recomposição histórica” por seus defensores. Outras publicações regionais também registraram críticas à proposta e relacionaram a medida a disputas políticas internas.
Areski Freitas, responsável pela adoção do nome Palácio Zumbi dos Palmares em sua gestão, se posicionou contra a mudança e enquadrou a indicação como erro político e simbólico. Ao defender a manutenção da homenagem, alinhou seu discurso ao sentimento predominante entre vozes que enxergam em União dos Palmares uma obrigação histórica de preservar Zumbi como referência central de identidade e projeção nacional.
Dias depois, Júnior Menezes rompeu o silêncio em um palco carregado de significado: a ação “Justiça dos Povos Vulneráveis”, do Tribunal de Justiça de Alagoas, realizada no Muquém, comunidade quilombola diretamente associada à memória dos Palmares. Cercado por autoridades do Judiciário e do Ministério Público, o prefeito esclareceu que não avançaria na proposta da Câmara, reafirmando o nome Palácio Zumbi dos Palmares e associando sua decisão a um compromisso público com a história e com a população mais vulnerável.
O gesto teve efeito imediato no tabuleiro local: esvaziou a iniciativa de Praxedes, reposicionou o prefeito ao lado do discurso de valorização da causa negra e, por consequência, deu fôlego político ao legado de Areski Freitas nesse tema específico. Em vez de ver o ex-prefeito isolado, a movimentação resultou na convergência pontual entre o atual gestor e seu antecessor em torno da mesma bandeira simbólica.
