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Horário de verão pode voltar em 2025? veja o que mudaria na conta de luz

O Ministério de Minas e Energia informou que o país não retomará o horário de verão em 2025.

Atualizado 3 meses atrás
Relogio simbolizando o horário de verão - Imagem gerada por IA
Relogio simbolizando o horário de verão - Imagem gerada por IA

O Ministério de Minas e Energia (MME) informou nesta semana que não há previsão para o retorno do horário de verão no Brasil em 2025.
De acordo com o ministro Alexandre Silveira, a medida está “permanentemente em avaliação”, mas só será adotada se houver uma necessidade comprovada no sistema elétrico nacional.

“Vamos estudar isso com serenidade. O sistema é robusto. O horário de verão só voltará se houver uma necessidade real”, afirmou o ministro em entrevista coletiva.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) também descartou qualquer decisão imediata e destacou que o atual cenário energético é considerado estável.

Ministro Alexandre da Silveira © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Ministro Alexandre da Silveira © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Motivo técnico: reservatórios e demanda controlada

Relatórios recentes do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) mostram que os reservatórios das principais hidrelétricas estão em níveis satisfatórios e que o país possui segurança energética para enfrentar o período de maior consumo.

Os dados indicam que o sistema elétrico nacional pode operar com estabilidade até o início de 2026, o que reduz a urgência de adotar medidas extraordinárias.

“O sistema está equilibrado, e não há necessidade de acionar o horário de verão neste momento”, explicou um técnico do ONS.

Entenda por que o horário de verão foi extinto

O horário de verão foi suspenso em 2019 após estudos do próprio ONS apontarem que a medida já não gerava economia de energia significativa.
Com o aumento do uso de aparelhos de ar-condicionado e de equipamentos eletrônicos, o pico de consumo deixou de ocorrer ao entardecer — principal justificativa para a mudança de horário.

Na época, os estudos mostraram que a economia havia caído de 4,5% para menos de 0,5% no consumo total, o que levou o governo federal a interromper o programa após mais de 80 anos de aplicação intermitente.

Atualmente, o MME e o ONS realizam novas simulações técnicas para avaliar se o retorno do horário de verão teria efeito relevante diante do cenário climático atual, marcado por temperaturas recordes e aumento no uso de energia elétrica nas cidades.

Se adotado novamente, o horário de verão adiantaria o relógio em uma hora entre outubro e março nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com o objetivo de aproveitar melhor a luz natural e aliviar a rede no horário de pico.

Especialistas em energia sustentam que a medida poderia gerar uma folga de até 2 gigawatts no sistema, mas o efeito na conta de luz do consumidor doméstico seria pequeno.

“O impacto existe, mas é limitado. O perfil de consumo mudou. Hoje o uso mais intenso de energia ocorre no período da tarde, não mais no início da noite”, explicou o engenheiro elétrico Paulo Nogueira, consultor em energia sustentável.

Homem olhando a hora no relógio - @Reprodução

Homem olhando a hora no relógio – @Reprodução

Avaliação continuará em 2025

O MME informou que continuará monitorando mensalmente a demanda e o nível dos reservatórios.
A decisão sobre qualquer eventual retomada será tomada apenas em caso de desequilíbrio comprovado no sistema elétrico nacional.

Enquanto isso, o governo federal recomenda que os consumidores mantenham hábitos de economia de energia, como uso racional do ar-condicionado e substituição de lâmpadas comuns por modelos LED.

O BR104 consultou dados e comunicados oficiais do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
As informações foram atualizadas até 30 de outubro de 2025.
Solicitações de correção ou direito de resposta podem ser enviadas para contato@br104.com.br.