Um relatório internacional divulgado em 2025 revelou que os incêndios florestais ocorridos entre março de 2024 e fevereiro de 2025 causaram prejuízos estimados em US$ 215 bilhões em ativos destruídos no mundo inteiro.
A análise faz parte do documento State of Wildfires 2024–2025, elaborado por mais de 60 instituições científicas globais, e mostra que o fogo se consolidou como um dos maiores riscos econômicos e sociais do século.
O estudo foi publicado no Earth System Science Data e indica que, mesmo com uma área total queimada menor que a média global, os danos financeiros e humanos atingiram níveis recordes — consequência direta do aumento de incêndios em regiões altamente povoadas e economicamente valiosas.
Estados Unidos e Brasil lideraram os maiores impactos
O levantamento aponta que os Estados Unidos foram o país mais afetado, com perdas totais de US$ 140 bilhões apenas nos incêndios da Califórnia, em janeiro de 2025.
Os desastres deixaram mais de 11 mil residências destruídas, 31 mortes diretas e 400 óbitos adicionais relacionados à poluição do ar e ao estresse provocado pela crise.
No Brasil, o impacto foi significativo. O relatório destaca que o Pantanal registrou perdas de aproximadamente R$ 1,2 bilhão (US$ 222 milhões), principalmente na agropecuária e no setor de turismo, enquanto a Amazônia enfrentou a maior temporada de fogo de sua história.
A soma das perdas nos dois biomas reforça o alerta de que a América do Sul se tornou um dos epicentros da crise global do fogo.
Além dos prejuízos materiais, os incêndios causaram impactos severos na saúde pública e no meio ambiente.
O relatório estima que mais de 100 milhões de pessoas foram expostas à fumaça e ao calor extremo, enquanto a poluição do ar chegou a níveis até 60 vezes superiores aos padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS) em países como Brasil, Bolívia, Índia e Estados Unidos.
A destruição também afetou projetos de crédito de carbono: cerca de 18% das áreas certificadas em mercados voluntários sofreram danos diretos por fogo, o maior índice desde 2001.
Segundo os pesquisadores, isso mostra que os riscos climáticos ainda não estão devidamente integrados aos sistemas financeiros e de seguros.
“O fogo não é apenas uma tragédia ambiental, mas uma crise econômica global. Em 2024, vimos empresas, propriedades e até projetos climáticos sendo destruídos por eventos cada vez mais previsíveis”, explicou Dr. Douglas Kelley, coautor do relatório e cientista do UK Centre for Ecology & Hydrology.
O alerta dos cientistas
Os autores do estudo defendem que as mudanças climáticas estão tornando os incêndios mais intensos, caros e impossíveis de controlar.
O relatório mostra que, em apenas um ano, os danos econômicos ultrapassaram o PIB anual de mais de 150 países.
O documento ainda recomenda revisar o modelo de contabilização de emissões e perdas nos inventários nacionais de carbono, já que as florestas estão perdendo capacidade de regeneração e deixando de compensar o CO₂ emitido.
“Estamos diante de um novo tipo de risco econômico: o fogo se tornou uma força global de desestabilização financeira, social e climática”, destaca o estudo.
Com a COP30 marcada para novembro de 2025 em Belém (PA), o relatório reforça que a redução das emissões e o fortalecimento da adaptação são urgentes.
Os especialistas defendem maior investimento em gestão de risco, prevenção e seguros ambientais, especialmente em países em desenvolvimento, onde as perdas são mais devastadoras.
“Sem mitigação e adaptação, o custo global do fogo continuará a crescer e ameaçar economias inteiras”, alertou a pesquisadora Drª Carmen Steinmann, da ETH Zürich.
