Alagoas

Família acusa polícia de uso de spray de pimenta que teria levado à morte de jovem no interior de AL

Jéssica de Andrade Vieira, de 32 anos, morreu após inalar spray de pimenta durante um bloco de Carnaval em Taquarana, no dia 2 de março deste ano.

Atualizado 5 meses atrás
Jéssica de Andrade Vieira | @ Reprodução
Jéssica de Andrade Vieira | @ Reprodução

A família de Jéssica de Andrade Vieira, de 32 anos, contesta o laudo oficial e acusa a Polícia Militar de agir de forma desproporcional durante o bloco de Carnaval de Taquarana, interior de Alagoas, na madrugada do dia 2 de março. Segundo os parentes, a jovem inalou spray de pimenta enquanto se divertia com amigos e familiares na Avenida Senador Rui Palmeira, em frente à quadra escolar Professora Maria Lúcia da Silva, e acabou não resistindo, apesar de ter sido levada inicialmente para casa e, depois, para o posto de saúde local.

Há divergências sobre quem teria usado a substância: enquanto alguns foliões afirmam que o spray foi aplicado por seguranças privados contratados para o evento, outros relatam que a Polícia Militar teria utilizado o gás para dispersar a multidão e conter brigas. A irmã de Jéssica, que presenciou os fatos, responsabiliza diretamente os policiais pela morte precoce da jovem, que deixa um filho de 12 anos.

Apesar das acusações, a Polícia Civil de Alagoas concluiu a investigação sem apontar responsabilidade policial. Em relatório divulgado em 5 de junho, o delegado Thomaz Acioly Wanderley Filho afirmou que o óbito decorreu de enfermidade cardíaca preexistente, sem indícios de crime, violência ou omissão dos agentes. O laudo toxicológico, que poderia esclarecer se havia substâncias no organismo da vítima, ainda não foi apresentado, mesmo após quase cinco meses do ocorrido.

O advogado da família, Luiz Lessa, criticou a condução da investigação e apontou falhas graves, como a demora para a abertura do inquérito e a ausência de diligências essenciais.

“É de causar estranheza que, mesmo com repercussão nacional, a investigação só começou dias depois. Se não fosse a defesa levar testemunhas, a polícia teria ouvido apenas os próprios acusados. O IML não descartou a influência indireta do gás de pimenta na descompensação clínica que causou o óbito”, disse.

A irmã de Jéssica reforçou que não aceitará que a morte da jovem seja esquecida: “É triste, mas vamos lutar para que a truculência que ocorreu com essa jovem não seja esquecida e que possamos alcançar a justiça”.