A ministra Gleisi Hoffmann (PT), responsável pela Secretaria de Relações Institucionais, manifestou-se publicamente em apoio ao pedido de prisão preventiva contra o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PDT). A solicitação foi protocolada pela Advocacia do Senado Federal com base em ataques reiterados do pedetista à prefeita de Crateús (CE), Janaína Farias (PT). Gleisi classificou as declarações como “gravíssimas” e de um “machismo repugnante”, reforçando a necessidade de medidas mais severas.
O pedido de prisão preventiva integra uma ação penal eleitoral proposta pelo Ministério Público Eleitoral. Segundo o documento, mesmo após determinação judicial para cessar as ofensivas, Ciro continuou suas manifestações públicas contra Janaína Farias — o que motivou novas medidas cautelares.
Em maio, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) condenou Ciro a pagar R$ 52 mil por danos morais à prefeita. Ele havia sido condenado por ofendê-la com expressões como “assessora de assuntos de cama” e “cortesã” . Apesar da decisão judicial, o comportamento ofensivo permaneceu, reforçando o argumento do Senado para buscar a prisão preventiva.
As medidas cautelares incluídas no pedido envolvem proibição de contato e aproximação inferior a 500 metros, restrição a novas manifestações públicas sobre a prefeita e comparecimento periódico em juízo. O caso foi enviado à Polícia Federal para investigação de possível crime de perseguição (stalking).
Em sua publicação no X (antigo Twitter), Gleisi elogiou a atuação da Advocacia do Senado, afirmando que a ação foi correta e necessária diante da gravidade das ofensas. Ela destacou que “os ataques de Ciro são gravíssimos e de machismo repugnante” e que ele vem “desafiando a Justiça com ataques reiterados desde 2024” . A ministra ainda expressou solidariedade à prefeita Janaína Farias.
A defesa de Ciro Gomes
O advogado de Ciro Gomes, Walber Agra, rechaçou o pedido de prisão preventiva, alegando que a atitude configura uma tentativa de criminalizar liberdade de expressão e crítica política. Para a defesa, o caso não se enquadra em nenhum dos critérios legais exigidos para a decretação de uma preventiva, uma vez que se trata de exercício de direito público de crítica .
Impacto político e repercussão
A defesa da prisão preventiva por Gleisi Hoffmann intensifica a polarização já existente entre PT e PDT e fortalece a narrativa de que os ataques de Ciro extrapolam a crítica política e adentram o campo da violência simbólica de gênero. O caso abre um debate sobre os limites da liberdade de expressão e possíveis consequências legais quando essa liberdade se choca com princípios constitucionais de igualdade e respeito.
Caso a prisão seja decretada, pode representar um marco jurídico na literatura da chamada violência política de gênero, sinalizando que autoridades públicas podem ser responsabilizadas criminalmente por ataques com base no gênero da vítima.
