O professor e teólogo Edson Moreira morreu nesta terça-feira (2), em Maceió, capital alagoana. O velório terá início às 15h no Parque das Flores. Reconhecido por sua atuação como educador e pela luta em prol da memória e valorização da cultura negra, Edson deixa um legado que atravessa gerações.
Formado em História e pós-graduado em Ciência da Religião, Edson Moreira teve sua trajetória marcada pelo compromisso com a educação e a cultura afro-brasileira. Como presidente da Fundação Afonso Arinos, ele atuou de forma decisiva para que o dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, fosse lembrado oficialmente.
Em novembro de 1994, o educador entregou ao então governador Geraldo Bulhões uma proposta para transformar o 20 de novembro em feriado estadual, destacando não apenas a importância da Consciência Negra, mas também a memória histórica de Zumbi.
Em 2003, Edson levou sua iniciativa ao âmbito nacional e solicitou ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a data fosse reconhecida oficialmente em todo o país. Vinte anos depois, o projeto foi consolidado com a sanção da Lei nº 14.759, em 21 de dezembro de 2023, que instituiu o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra como feriado em todo o território nacional, uma conquista histórica que reflete décadas de luta e engajamento social do professor.
Nascido em 12 de maio de 1942, Edson Moreira era natural do bairro da Levada, em Maceió, onde passou a infância e acompanhou o desenvolvimento urbano da cidade. Mais tarde, passou a residir no bairro da Fernandes Lima, onde viveu grande parte de sua vida adulta. Sua vivência em meio às manifestações culturais, religiões de matriz africana e festas populares contribuiu para a formação de uma consciência crítica sobre a história e a identidade afro-brasileira.
Ao longo de sua vida, Edson também atuou na preservação da memória e do protagonismo negro em Alagoas, participando de projetos educacionais e culturais em cidades como União dos Palmares. Entre suas contribuições está a criação da Praça Ganga Zumba, no mar de Cruz das Almas, um espaço simbólico que celebra a resistência e a herança do Quilombo dos Palmares.
