O apresentador Fausto Silva, o Faustão, de 75 anos, viveu um período de intensos desafios médicos desde 2023, passando por quatro transplantes de órgãos em menos de dois anos. Foram cirurgias complexas que envolveram um coração, dois rins — sendo um retransplante — e um fígado.
O caso chama atenção não apenas pela gravidade do quadro clínico, mas também pela sequência incomum de procedimentos de alta complexidade em tão curto espaço de tempo.
O primeiro transplante de Faustão foi cardíaco, realizado em 27 de agosto de 2023, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. A cirurgia foi necessária após diagnóstico de insuficiência cardíaca grave, quando o coração já não conseguia bombear sangue de forma eficiente.
Menos de seis meses depois, em 26 de fevereiro de 2024, o apresentador precisou de um transplante renal. A insuficiência renal teria sido consequência tanto da condição cardíaca anterior quanto do uso prolongado de medicamentos para manter o novo coração funcionando.
Em agosto de 2025, Faustão voltou ao centro cirúrgico para dois procedimentos consecutivos. No dia 6 de agosto, recebeu um novo fígado. A cirurgia foi motivada por complicações hepáticas que comprometeram a função do órgão. No dia seguinte, 7 de agosto, foi realizado um retransplante renal, substituindo o rim transplantado em 2024, que não estava mais funcionando adequadamente.
Com isso, o apresentador acumulou quatro transplantes: coração, fígado e dois rins, sendo este último em duas ocasiões diferentes.
Segundo informações confirmadas por familiares e boletins médicos, o rim e o fígado transplantados em 2025 vieram de um único doador familiar. Essa doação direta dispensa a espera na fila pública do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), desde que haja compatibilidade comprovada e aprovação médica.
Já o coração transplantado em 2023 e o primeiro rim de 2024 foram obtidos por meio da fila nacional do SUS, seguindo critérios de gravidade clínica, compatibilidade e ordem de prioridade. Na época, o Ministério da Saúde e a Central de Transplantes de São Paulo esclareceram que Faustão estava em fila de urgência, o que significa que seu estado de saúde era crítico e que havia risco de morte iminente sem a cirurgia.
O caso reacendeu o debate público sobre critérios de prioridade em transplantes, especialmente quando se trata de pessoas conhecidas. Autoridades reforçaram que todos os procedimentos seguiram as regras legais e médicas.
Após as cirurgias de agosto de 2025, Faustão permaneceu internado na UTI do Hospital Albert Einstein. Ele foi extubado em 9 de agosto, respirando sem auxílio de aparelhos. O boletim médico informou que seu quadro é estável e que apresenta evolução positiva, mas sem previsão de alta.
Segundo especialistas, a recuperação após transplantes múltiplos exige monitoramento constante, uso de medicamentos imunossupressores para evitar rejeição e acompanhamento de funções vitais. No caso de Faustão, a sequência de cirurgias em tão pouco tempo aumenta a complexidade do tratamento.
Familiares afirmam que o apresentador está reagindo bem aos procedimentos e recebendo visitas restritas. No Dia dos Pais de 2025, ele recebeu a presença dos três filhos no hospital, em um momento descrito como emocionante por pessoas próximas.
Um transplante múltiplo ocorre quando o paciente recebe mais de um órgão em um intervalo próximo ou durante a mesma internação. Já o retransplante é a substituição de um órgão anteriormente transplantado que perdeu a função.
No Brasil, ambos os procedimentos seguem regras rigorosas, que incluem laudos médicos, comprovação de necessidade e autorização de órgãos reguladores. Casos como o de Faustão, que envolvem coração, fígado e rins em sequência, são considerados raros e de alta complexidade.
