Executivo diz que taxas de 50% sobre exportações tornariam inviáveis as vendas para os EUA, afetando empregos e investimentos
As novas tarifas comerciais anunciadas pelo governo dos Estados Unidos podem representar um duro golpe para a indústria aeronáutica brasileira. O presidente-executivo da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou nesta terça-feira (15) que a imposição de taxas de 50% sobre exportações brasileiras pode impactar a empresa com intensidade semelhante à registrada durante a pandemia da Covid-19.
Durante conversa com jornalistas, o CEO demonstrou forte preocupação com o cenário. Segundo ele, medidas desse porte devem gerar cancelamentos de encomendas, adiamento de entregas e retração nos investimentos, além de ameaçarem a manutenção de postos de trabalho na companhia.
— Essas tarifas seriam praticamente um embargo comercial. Tornariam as exportações para os Estados Unidos inviáveis — alertou Gomes Neto.
A Embraer tem nos EUA um de seus principais mercados, especialmente no setor de aviação regional, onde é uma das líderes globais. A empresa, inclusive, mantém operações no território norte-americano e relações consolidadas com companhias aéreas do país, como a American Airlines e a United.
A possível taxação — prevista para entrar em vigor em 1º de agosto — integra um conjunto de sanções econômicas que os EUA pretendem aplicar a países que continuam comercializando petróleo, gás ou urânio com a Rússia. O Brasil entrou na mira após bater recordes de importação de diesel russo em 2024, o que despertou críticas de parlamentares americanos.
Para o setor aeronáutico, os impactos podem ser devastadores. Ao lembrar os efeitos da pandemia, Gomes Neto destacou que a crise sanitária provocou uma queda abrupta na demanda por aviões, afetando a receita da empresa, seus planos de crescimento e levando à suspensão temporária de projetos estratégicos.
— Estamos avaliando o impacto potencial com muito cuidado. Uma taxa dessa magnitude compromete não só a competitividade da Embraer, mas também toda a cadeia produtiva ligada à exportação — completou.
O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre possíveis medidas de retaliação ou negociação para evitar a entrada em vigor das tarifas. Nos bastidores, diplomatas buscam abrir canais de diálogo com Washington para tentar mitigar os efeitos da proposta.




