Famosos

Ao som de sanfonas e música, Xameguinho é homenageado e sepultado em Maceió

O cantor e sanfoneiro, considerado um dos maiores representantes do forró pé de serra em Alagoas, faleceu na madrugada desta segunda-feira (30).

Atualizado 7 meses atrás
Multidão acompanha cortejo e presta homenagem ao sanfoneiro Xameguinho no Parque das Flores, em Maceió | @ Foto: Rogério Costa
Multidão acompanha cortejo e presta homenagem ao sanfoneiro Xameguinho no Parque das Flores, em Maceió | @ Foto: Rogério Costa

Sob o som das sanfonas e a emoção de quem reconhecia sua grandeza artística, Sebastião José Ferreira Maximíno, o  Xameguinho, foi sepultado na manhã desta terça-feira (1º), no cemitério Parque das Flores, em  Maceió. O cantor e sanfoneiro, considerado um dos maiores representantes do forró pé de serra em Alagoas, faleceu na madrugada da segunda-feira (30), aos 62 anos, vítima de um ataque cardíaco fulminante.

A despedida reuniu familiares, amigos, admiradores e artistas do cenário musical nordestino, que prestaram sua última homenagem ao artista com música. Sanfoneiros entoaram, em coro com os presentes, versos da canção “Da vida não levo nada, do jeito que a vida vem, depois de fechar os olhos ninguém é ninguém…”, composta por Nenéo, e frequentemente interpretada por Xameguinho em seus shows.

Segundo relato de familiares, o sanfoneiro acordou por volta das 5h da manhã de segunda-feira com dificuldades para respirar. A esposa tentou acionar ajuda médica, mas ele não resistiu e faleceu ainda em casa, quando tentava ir até o banheiro.

Durante a cerimônia de despedida, colegas de palco e amigos relembraram os momentos marcantes da carreira de Xameguinho, que percorreu festas de interior, palcos juninos e eventos culturais levando o autêntico forró pé de serra. Sua habilidade com a sanfona, sua voz característica e sua alegria contagiante fizeram dele um símbolo da cultura nordestina.

Natural do município de Atalaia (AL), o artista nasceu em 7 de setembro de 1962. Filho do agricultor Valdo Maximino, teve a infância marcada pela simplicidade da vida no campo. Foi ainda menino que recebeu do pai um presente que mudaria o rumo de sua história: uma sanfona de oito baixos. A partir dali, a paixão pela música cresceu, até que, aos 14 anos, já com uma sanfona maior, de 24 baixos, começou a tocar clássicos de Luiz Gonzaga, Trio Nordestino e Jackson do Pandeiro – repertório que o acompanharia por toda a vida.

O nome artístico surgiu em 1978, quando buscava uma identidade para o trio que integrava. Segundo ele próprio contava, uma criança sugeriu “Trio Xameguinho”, e o apelido pegou. Em 1979, Xameguinho se mudou para Maceió e passou a se apresentar em boates, clubes e festas com o trio “Os Pajés Nordestinos”. A partir daí, a carreira tomou impulso.

O artista gravou LPs, CDs e DVDs; fez parcerias com grandes nomes da música popular nordestina, como Mano Walter, Chambinho do Acordeon, Kara Véia, Joseane de Josa, Zuza, Tito do Gado, Banda Forró de Xodó, Mestre Zinho, Chau do Pife e até o multi-instrumentista Hermeto Pascoal, com quem compôs “O Casamento do Pife”.

Xameguinho também rodou o mundo: apresentou-se em países como Alemanha, Suíça, França, Itália e Bélgica, sempre levando o som da sanfona e o ritmo do forró tradicional a públicos diversos. Mesmo com uma carreira consolidada, voltou a ganhar notoriedade nos últimos anos com o sucesso viral de músicas como “Outra Vez” e “Tanta Solidão”, redescobertas por uma nova geração nas redes sociais.

Sua contribuição à música foi além dos palcos. Como arranjador e produtor musical, fundou o Stúdio Xamego, em Maceió, por onde passaram dezenas de artistas de Alagoas, Sergipe e Pernambuco. Sua versatilidade também o levou a gravar faixas no gênero gospel, ao lado de nomes como Amara Barros e Marilyn Caroline.

Em sua discografia, constam álbuns como Do Jeito do Meu Coração (1992), Só Xamego (2011) e Xameguinho – O Original (2013), entre outros registros de uma trajetória marcada pela dedicação à cultura nordestina e ao forró pé de serra.