O Pix revolucionou a forma de fazer transferências bancárias no Brasil. Lançado em 2020 pelo Banco Central, o sistema se consolidou como o meio de pagamento mais popular do país, por sua velocidade, praticidade e custo zero. Mas, com a popularização do serviço, também cresceu o número de fraudes envolvendo golpes no Pix.
Somente em 2024, mais de 2,7 milhões de tentativas de golpe com uso do Pix foram registradas em todo o país, segundo dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Em 2025, a tendência continua, com criminosos utilizando táticas cada vez mais sofisticadas para enganar vítimas.
Neste guia, você confere orientações atualizadas para se proteger de golpes no Pix e o que fazer caso caia em uma fraude.
Quais são os principais tipos de golpes no Pix?
De acordo com a Polícia Civil e o Banco Central, os golpes mais comuns em 2025 são:
1. Golpe da falsa central de atendimento
O golpista se passa por atendente do banco e diz que há uma movimentação suspeita no Pix. Ele orienta a vítima a transferir um valor para uma conta “segura”, que na verdade é do próprio criminoso.
2. Engenharia social por WhatsApp
Criminosos clonam o número de telefone da vítima ou fingem ser amigos/familiares pedindo transferências via Pix com urgência, usando fotos de redes sociais e até áudios manipulados com IA.
3. Boletos falsos com QR Code do Pix
Empresas falsas enviam boletos ou cobranças por e-mail e WhatsApp com códigos QR adulterados, que direcionam o pagamento para contas dos criminosos.
4. Golpe do marketplace
Golpistas anunciam produtos em sites de vendas ou redes sociais, recebem o Pix e desaparecem sem entregar a mercadoria.
Como se proteger dos golpes no Pix?
As recomendações da polícia e do Banco Central incluem medidas simples, mas fundamentais:
1. Nunca realize transferências por orientação recebida por telefone
Nenhum banco liga pedindo que o cliente faça Pix para “contas seguras”. Em caso de dúvida, encerre a chamada e ligue para o número oficial do banco.
2. Ative as notificações de movimentação bancária
Isso permite acompanhar qualquer transação em tempo real e identificar movimentações não autorizadas.
3. Evite expor sua chave Pix em redes sociais
Muitas pessoas compartilham QR Codes ou dados bancários em postagens públicas, o que pode facilitar fraudes e tentativas de phishing.
4. Confirme os dados antes de transferir
Ao fazer um Pix, verifique nome e CPF/CNPJ do destinatário. Se algo parecer estranho, cancele a operação antes de confirmar.
5. Desconfie de pedidos urgentes por WhatsApp
Mesmo se parecer ser um parente ou amigo, confirme por outro canal. Quando possível, ligue para a pessoa antes de realizar qualquer transferência.

Pix – @Reprodução
Como denunciar um golpe no Pix?
Se você for vítima de um golpe com Pix, siga os seguintes passos imediatamente:
Entre em contato com o seu banco e registre uma contestação da transferência.
Registre um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou pela internet.
Acione o Mecanismo Especial de Devolução (MED), previsto pelo Banco Central. Ele permite bloquear os valores transferidos e tentar recuperá-los em até 72 horas após a denúncia.
O MED está disponível em todos os bancos e instituições autorizadas pelo Banco Central. Mas atenção: o sucesso na devolução depende da rapidez da comunicação e da disponibilidade do valor na conta destino.
Novidades do Banco Central em 2025 para reforçar a segurança
Para reduzir os golpes no Pix, o Banco Central implementou novas regras de segurança em 2025:
Limite noturno automático para transferências acima de R$ 1.000 entre 20h e 6h.
Obrigatoriedade de autenticação em dois fatores nos apps bancários.
Possibilidade de cadastrar contatos confiáveis para receber Pix de forma prioritária e segura.
Além disso, bancos agora compartilham dados de tentativas de fraudes entre si por meio de uma plataforma unificada, dificultando a atuação de criminosos reincidentes.
Dica extra: use senha forte e biometria no app do banco
Ativar o desbloqueio com biometria facial ou digital no aplicativo do banco é uma camada extra de segurança. Evite usar senhas óbvias ou que você já utiliza em outros serviços, como redes sociais ou e-mails.
Casos reais alertam para riscos
Em São Paulo, uma mulher de 37 anos perdeu R$ 12 mil após cair no golpe da falsa central. O golpista se passou por gerente do banco e convenceu a vítima a fazer dois Pix para “evitar bloqueio judicial”. Em outro caso, em Recife, um microempresário teve seu WhatsApp clonado e clientes fizeram transferências acreditando que estavam negociando diretamente com ele.
Esses casos mostram que qualquer pessoa está sujeita a cair em golpes, independentemente do grau de instrução ou familiaridade com tecnologia.
