A aliança entre o prefeito de Messias, Marcos Silva (Republicanos), e o deputado estadual Antônio Albuquerque (Republicanos) entrou em zona de instabilidade. O que antes era visto como um eixo eleitoral bem alinhado, com base sólida tanto na eleição de 2020 quanto na reeleição de 2024, agora sofre os efeitos da disputa antecipada por palanques estaduais para 2026.
Nos bastidores, o que se comenta é que o mal-estar não é apenas entre o prefeito e seu vice, Marcos Valério, como divulgado pelo BR104, mas se estende ao núcleo mais estratégico da gestão: o próprio deputado Antônio Albuquerque, considerado o principal articulador político da administração municipal.
Albuquerque foi o grande avalista da candidatura de Marcos Silva ao primeiro mandato e manteve forte influência na montagem da equipe de governo, inclusive com indicações em áreas estratégicas da prefeitura.
Agora, porém, os interesses eleitorais começam a destoar. De um lado, Antônio Albuquerque pressiona para que Marcos Silva integre o grupo político que deve apoiar a candidatura do prefeito de Maceió, JHC (PL), ao governo do estado. Albuquerque já articula abertamente sua aliança com JHC para 2026 e, segundo fontes ouvidas pelo portal BR104, quer que Marcos Silva siga a mesma linha.
Mas Marcos Silva tem outro plano. O prefeito de Messias estaria inclinado a apoiar o nome do ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), como candidato ao governo estadual — o que não agrada nem um pouco o grupo de Antônio Albuquerque. A avaliação no entorno do deputado é de que a aproximação com o MDB enfraquece o campo da direita tradicional e sinaliza um possível realinhamento do prefeito com setores da base federal, especialmente após a boa relação de Messias com pastas federais ligadas ao PAC.
Além da disputa pelo governo, outra divergência profunda se dá na escolha para o Senado Federal. Antônio Albuquerque defende publicamente o nome de Davi Davino Filho (Progressistas) como candidato a senador por Alagoas. Já Marcos Silva, segundo aliados próximos, deve declarar apoio à reeleição do senador Renan Calheiros (MDB), completando um alinhamento total com a estrutura emedebista estadual.
Esse cenário acendeu o alerta dentro do Republicanos. Se o rompimento entre Antônio Albuquerque e Marcos Silva se concretizar, o prefeito já trabalha nos bastidores com um novo desenho para a eleição proporcional.
O nome de Remi Calheiros (MDB) já é ventilado como possível candidato a deputado estadual com o apoio de Marcos Silva, substituindo Antônio Albuquerque, enquanto o deputado federal Luciano Amaral desponta como favorito a receber o apoio do prefeito para a Câmara dos Deputados.
A crise ainda está em fase de bastidor, mas interlocutores dos dois lados confirmam que há reuniões suspensas, telefonemas ignorados e uma série de desacordos recentes sobre nomeações e obras em curso no município. “O distanciamento é evidente, e a disputa por palanques para 2026 só agravou isso”, diz um aliado do prefeito, sob reserva.
Caso se confirme a ruptura, o cenário político de Messias será redesenhado. Antônio Albuquerque deixaria de ter influência direta no Executivo local, e Marcos Silva ganharia autonomia para articular com o MDB de olho no pós-prefeitura. Até aqui, nenhum dos dois se pronunciou oficialmente sobre a tensão, mas a temperatura no tabuleiro político local não para de subir.
