Um projeto social nascido no coração do Vassoral, em Caruaru, vem impactando silenciosamente a vida de centenas de famílias. O Instituto do Meio Ambiente de Pernambuco (IMOA) já capacitou mais de 500 mulheres, promove ações de educação ambiental e coleta seletiva, e transformou mais de 110 toneladas de lixo têxtil em renda. No entanto, apesar dos resultados expressivos, a instituição não conta com nenhum apoio da Prefeitura de Caruaru.
Durante participação na Câmara Municipal, a presidente do IMOA, Gilvaneide Lucielma, fez um apelo emocionado aos vereadores:
“A única cidade onde o IMOA atua e não tem parceria com o poder público é justamente Caruaru, onde o projeto nasceu.”
A fala foi acompanhada de aplausos e depoimentos de parlamentares que já visitaram a sede improvisada do projeto. A estrutura atual, alugada por R$ 3 mil, está em risco de ser desativada por falta de recursos.
“A conta não fecha. O impacto social é imenso, mas o retorno financeiro ainda é pequeno porque vender moda sustentável não é fácil”, desabafou Gilvaneide.
Do lixão à renda: uma transformação coletiva
O IMOA nasceu em 2019, quando um pequeno grupo começou a reutilizar retalhos descartados no bairro Petrópolis. Com o tempo, a iniciativa cresceu. Hoje, mais de 420 catadores estão vinculados ao instituto, atuando em bairros como Alto do Moura, Centenário, Salgadinho e Vassoral.
A produção vai além da reciclagem: o instituto ministra cursos de corte e costura, empreendedorismo coletivo e economia circular. Em eventos como o São João Sustentável, houveram catadores capacitados que chegaram a arrecadar até R$ 9 mil em resíduos recicláveis.
Resultados reconhecidos, mas invisíveis em casa
Apesar da ausência de apoio local, o IMOA recebeu reconhecimento fora da cidade. A Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe, por exemplo, venceu um prêmio nacional de sustentabilidade graças ao programa “Educar para Sustentar”, desenvolvido em parceria com o instituto.
Além disso, o IMOA já firmou projetos com o Banco do Nordeste, o SENAI, o Sebrae e a Universidade Federal de Pernambuco, com quatro programas de extensão em andamento.
Lixo que poderia ser solução
De acordo com dados da antiga Secretaria de Serviços Públicos (SESP), Caruaru envia cerca de 8 toneladas diárias de resíduos têxteis para o aterro sanitário como lixo comum. “É um absurdo”, afirma Gilvaneide. “Transformar esse volume em renda e oportunidade é possível, já mostramos isso”.
Uma das propostas recentes do instituto foi a instalação de uma usina de energia verde móvel, com tecnologia validada pela CPEN, para atuar no São João e em outros eventos públicos. A ideia foi ignorada pela gestão municipal.
Câmara promete resposta
Após o pronunciamento da presidente do IMOA, vereadores como Gil Bobinho, Mery da Saúde, Fagner dos Animais e Jorge Quintino se comprometeram a buscar alternativas.
Um deles anunciou a intenção de apresentar um projeto de lei para reconhecer o IMOA como utilidade pública municipal, facilitando o acesso a recursos.
A vereadora Méri da Saúde propôs uma visita em bloco ao instituto. “Já passou da hora dessa Casa conhecer de perto o que eles estão fazendo”, afirmou.
📌 Saiba mais:
O IMOA está localizado no bairro Vassoral, Rua João Cordeiro de Souza, nº 115
O próximo evento será no dia 4 de junho, no SENAI Caruaru, com oficinas de educação financeira e empreendedorismo sustentável
