Milhares de famílias foram surpreendidas no mês de abril com a suspensão do pagamento do Bolsa Família, programa de transferência de renda do governo federal. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, os cortes fazem parte de uma revisão cadastral rigorosa, que busca garantir que apenas quem atende aos critérios receba o benefício.
A exclusão em massa aconteceu após o cruzamento de dados entre o Cadastro Único (CadÚnico), Receita Federal, e registros de emprego formal e renda familiar. De acordo com a pasta, mais de 300 mil cadastros foram bloqueados ou cancelados por inconsistências nas informações, como renda acima do permitido ou falta de atualização dos dados.
Regras do programa
O Bolsa Família atende famílias em situação de vulnerabilidade social e com renda per capita de até R$ 218 por mês. Para continuar recebendo o benefício, é necessário manter os dados no CadÚnico atualizados, além de cumprir exigências como frequência escolar dos filhos, vacinação em dia e acompanhamento pré-natal, no caso de gestantes.
Segundo o governo, muitos dos bloqueios ocorreram porque famílias não atualizaram seus cadastros nos últimos 24 meses, o que é obrigatório. Além disso, foram identificadas famílias que ultrapassaram o limite de renda após conseguir empregos formais ou informais que elevaram o rendimento familiar.
O que fazer em caso de bloqueio?
Famílias que tiveram o benefício suspenso ou cancelado devem procurar o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) mais próximo ou acessar o aplicativo do Bolsa Família para verificar o motivo do bloqueio.
Nos casos em que a família ainda se enquadra nas regras do programa, é possível regularizar o cadastro e solicitar o reingresso no benefício. Segundo o governo, após a correção dos dados, o pagamento pode ser retomado no mês seguinte, inclusive com valores retroativos, dependendo do caso.
Revisão contínua
O Ministério informou que a revisão cadastral continuará sendo feita ao longo de 2025, como parte da política de combate a fraudes e uso indevido de recursos públicos. A medida faz parte da promessa do governo Lula de garantir maior eficiência e justiça social na gestão do Bolsa Família.
“Não é corte por corte. Estamos garantindo que o recurso chegue a quem realmente precisa”, afirmou o ministro Wellington Dias, titular da pasta da Assistência Social.
Enquanto isso, famílias afetadas cobram mais clareza na comunicação e agilidade na liberação de pagamentos bloqueados indevidamente. Em redes sociais, muitos beneficiários relataram dificuldades para entender o motivo da suspensão e para conseguir atendimento no CRAS.
