Teve início nesta quarta-feira (7), às 5h (horário de Brasília) – 10h no horário local -, a missa solene Pro Eligendo Pontifice, que marca oficialmente a abertura do Conclave no Vaticano.
A celebração foi conduzida pelo cardeal decano Giovanni Battista Re, na Basílica de São Pedro, e contou com a presença dos 133 cardeais eleitores que, a partir de hoje, darão início ao processo de escolha do novo pontífice da Igreja Católica.
Durante a homilia, o cardeal Re pediu sabedoria divina para os eleitores que se preparam para uma das decisões mais importantes da Igreja: “Estamos aqui para invocar a ajuda do Espírito Santo, para implorar a sua luz e a sua força, a fim de que seja eleito o papa que a Igreja e a humanidade precisam neste momento tão difícil e complexo da história”, afirmou.
O decano também ressaltou a importância da unidade na Igreja: “Uma unidade que não significa uniformidade, mas comunhão sólida e profunda na diversidade, desde que se permaneça plenamente fiel ao Evangelho.”
Segundo Re, um dos principais deveres do próximo Papa será justamente cultivar essa comunhão: “Entre as tarefas de cada Sucessor de Pedro conta-se a de fazer crescer a comunhão: comunhão de todos os cristãos com Cristo, comunhão dos bispos com o papa e comunhão dos bispos entre si… a Igreja deve ser ‘casa e escola de comunhão’.”
Após a celebração, os cardeais seguirão em procissão até a Capela Sistina, entoando o hino latino Veni Creator Spiritus, tradicional invocação ao Espírito Santo. Lá, darão início ao ritual do Conclave com o juramento de sigilo absoluto sobre todas as etapas da votação.
A cerimônia de entrada é encerrada com o pronunciamento do cardeal mestre de cerimônias com a expressão latina extra omnes – “todos fora” -, momento em que apenas os eleitores permanecem na capela.
A primeira rodada de votações terá início ao meio-dia (horário de Brasília). Caso nenhum nome alcance os dois terços dos votos exigidos, o processo continua nos dias seguintes com até quatro votações diárias, duas pela manhã e duas à tarde.
A expectativa, segundo fontes ligadas ao Vaticano, é que o novo Papa seja escolhido em dois a três dias, embora não haja prazo definido. Historicamente, os últimos dez conclaves duraram, em média, três dias, sendo que nenhum ultrapassou cinco.
A cada sessão encerrada, as cédulas de votação são queimadas em um fogareiro instalado na Capela Sistina. A cor da fumaça indica ao mundo o andamento do Conclave: preta, se ainda não houve decisão; branca, se um novo Papa foi eleito.
Quando o veredito for alcançado, caberá ao cardeal francês Dominique Mamberti, prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, o anúncio oficial, com a tradicional proclamação em latim: Habemus Papam.
Este Conclave ocorre 16 dias após a morte do Papa Francisco, falecido no dia 21 de abril, um dia após o Domingo de Páscoa. Sua última aparição pública aconteceu na tradicional bênção Urbi et Orbi, diante de uma multidão reunida na Praça de São Pedro.
Símbolo máximo da fé católica e palco do Conclave, a Capela Sistina é um monumento do Renascimento. Construída entre 1473 e 1481, reúne algumas das obras mais célebres da arte ocidental, como A Criação de Adão e O Juízo Final, ambas de Michelangelo, além de afrescos de Botticelli, Perugino e Ghirlandaio.
